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quarta-feira, 25 de março de 2009

Trissomia 21 e os Quadros Interactivos na Rede INTERACTiC 2.0

Desde o momento em que foi criado na comunidade INTERACTiC 2.0, o grupo TIC e Necessidades Especiais, coordenado pela Isabel Ribeiro,l icencidada em Educação Especial/Problemas Graves, tem criado contextos informais de aprendizagem e de partilha entre professores extremamente gratificantes, benéficos e produtivos.

Graças ao seu elevado empenho, dedicação e paixão pelas tecnologias assistivas, a Isabel Ribeiro, estando fisicamente localizada na Madeira, não deixa de marcar a sua presença assídua na blogosfera, através da Comunidade INTERACTiC 2.0. Muitos têm sido os tópicos abertos relacionados com esta temática, com informação pertinente e útil para auxiliar os professores a compreender e a acompanhar com mais eficácia alunos com Necessidades Educativas Especiais.
Este grupo conta já com 48 membros interessados em acompanhar, reflectir e partilhar ideias, dificuldades, estimulados pela energia da sua coordenadora.
Hoje, desejo destacar a participação de um dos elementos deste grupo: a Maria Inês Conceição, professora do 1º Ciclo, em Castelo de Paiva. Na sequência do seu trabalho realizado com um aluno portador de Trissomia 21, há três anos atrás, já a Inês dava o seu testemunho aqui, com Os Primeios Sinais Primaveris,(31.03.2006), neste blogue, sobre o visível impacto que o ACTIVboard tinha sobre o João.

Passados estes anos, eis um novo testemunho exemplar, publicado na rede Interactic 2.0 (21 março 2009)! Parabéns, Inês, pela tua persistência e pela tua capacidade inovadora e criadora! O reconhecimento acaba sempre por eclodir.

Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis.
Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.
Mary Pat Radabaugh

Para mim as tecnologias facilitaram-me a INTEGRAÇÃO, do meu aluno NEE, possível.
Tenho há quatro anos um aluno com Trissomia 21...
Há quatro anos que iniciei o trabalho com o quadro interactivo da Promethean...
Há 15 dias fui à TVI dar conta desta integração... pois a mãe do aluno quis homenagear a turma e professoras, do regular e do especial, pelo trabalho que têm desenvolvido ao longo dos quatro anos do 1º ciclo...
Não tendo tido oportunidade, no programa televisivo, de expôr a influência positiva que teve o uso frequente do quadro interactivo, na integração do aluno, na turma, gostaria de partilhar esse mesmo facto aqui.
Começo por dizer que no 1º ano o meu aluno refugiava-se, isolando-se dos colegas e detestando exposições em público.A minha preocupação era que não lhe faltasse nenhum recurso humano (tarefeira e colega do ensino especial) e físico (material didáctico, computador e software adequado às suas necessidades).
Com a instalação do quadro interactivo e o seu uso integrado na dinâmica metodológica da aula vou registando sinais, por parte do aluno, recusando-se a fazer as actividades preparadas para si no computador, SOZINHO, mesmo com software específico e com a atenção especial que lhe era dedicada. O que pretendia era, somente, fazer O MESMO que os colegas faziam, no quadro interactivo.

E a integração começou através do quadro interactivo, permitindo-lhe aprender as mesmas técnicas de utilização como os colegas e mais tarde, quando o domínio das técnicas estava assegurado, a participar na produção de flipcharts para posteriores exposições e comunicações à turma. O aluno passa a fazer parte dos trabalhos de projecto em grupo onde, aí, os colegas são responsabilizados na preparação, integrando o colega, de informação adequada a ser apresentada, no quadro interactivo, pelo colega NEE.
O isolamento desaparece, a integração é uma constante e a exposição, em público, passa a ser um desejo, um prazer.
Ao fim destes quatro anos o aluno vai à TVI expôr-se, sem qualquer inibição, mostrando ser um elemento, COMO OS OUTROS, imprescindível no sucesso de uma coreografia aí apresentada.
A integração do quadro interactivo na dinâmica da aula veio facilitar a integração de um aluno NEE no grupo turma tornando assim... POSSÍVEL o seu harmonioso desenvolvimento e ... tantas coisas mais!

sexta-feira, 31 de março de 2006

"Os primeiros sinais primaveris aí estão..."

Há dias, num dos comentários feitos por um anónimo, repliquei deste modo: "Há quem não tenha consciência profissional e revele muito pouco respeito por quem deseja mudar, preocupando-se pouco com o (in)sucesso dos nosso alunos e do ensino em Portugal!"

Hoje, deixo aqui um testemunho real e actual da professora Maria Inês Conceição, cujo conteúdo poético e primaveril, mas profundamente sério e pedagógico, nos faz reflectir sobre as potencialidades e vantagens dos Q.B.I na sala de aula...

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Primavera Interactiva

A Primavera chegou este mês com todo o seu potencial de renovação de vida, cor e sentimentos.

Foi neste espírito que chegou o Quadro Interactivo (QI) à minha sala, à minha vida profissional (20 anos de serviço), aos meus alunos (18, do 1º ano) e à minha escola (EB1 nº2 de Castelo de Paiva).

Um pouco acanhadas, as flores vão desabrochando, colorindo e perfumando a Natureza, ingredientes necessários à imaginação e poesia….Tem sido neste paralelismo sentimental que o QI tem entrado nas aulas, deixando que a luz, a cor, o som, o movimento, … deixem brotar essa mesma imaginação.

O meu parecer sobre esta nova tecnologia educacional deve ser entendido num contexto a ter em conta:

- O nível de ensino que lecciono, com tudo o que lhe é inerente.

- A perspectiva de educação/ensino com conhecimentos e práticas que cultivo.

- O espírito de inovação, experimentação e avaliação.

Assim sendo, considero que não se deve entender o uso do QI como uma tecnologia de ensinar, programada para fazer com que as crianças aprendam com ela Matemática, Língua Portuguesa e Estudo do Meio. A relação da criança com o QI proporciona um certo desafio divertido, desenvolvendo um processo, do qual, a criança se vai tornando mais inteligente, podendo além disso utilizar esta capacidade em todas as áreas do conhecimento.

Convém que o QI seja considerado, não só, como mais um elemento integrante do meio informático que rodeia a criança, mas também como algo com o qual se pode comunicar e INTERAGIR.

“Interagir”, “interactivo”, estas são as palavras que fazem toda a diferença. Qualquer quadro branco, qualquer vídeo projector resolveria o problema da falta de atenção e motivação, mas é através de QI que a criança pode agir sobre o mesmo, com jogos, desenhos, pode falar com os seus desenhos, transformá-los, mudar-lhes a cor, dar-lhes animação, multiplicá-los… O enfoque difere notavelmente da utilização que se costuma fazer do computador como simples auxiliar de uma aula. Trata-se de um processo no qual a criança pergunta, age, e observa os efeitos da sua acção. E no grupo etário das crianças do 1º Ciclo como é importante a acção! É um factor decisivo na sua dinâmica de desenvolvimento.

As crianças têm mostrado grande entusiasmo e aprendem com surpreendente rapidez a utilizar a pen, as ferramentas… A utilização do QI dá à criança a sensação de poder fazer.

A interacção com o quadro facilita às crianças a descoberta de novos caminhos que podem mudar radicalmente as suas formas de aprendizagem, o desenvolvimento intelectual, afectivo e comportamental.

«A minha turma integra um aluno com Trissomia 21, é uma criança com um comportamento muito específico e que uma das suas características é refugiar-se, afastando-se de actividades colectivas em que tenha de se exibir. Na apresentação do QI (1º dia de funcionamento), foi esse mesmo aluno que foi estrear o quadro, arrastando as letras do seu nome, mostrando à turma que era ele que estava ali. Fez isto com um domínio surpreendente da ferramenta e acção (arrastar), apesar de se zangar com a sombra do seu corpo que teimosamente o impedia de encontrar a letra correcta para o nome!...

Este aluno desfrutou da partilha da sua actividade com os outros, mas teve o dobro do prazer quando contou com a aprovação geral da turma. O QI permite acrescentar ao gozo do sucesso o gozo social».

A interacção com o quadro está a ser levada como um jogo. Um jogo, que não é uma actividade supérflua nem é uma actividade oposta ao trabalho sério escolar mas, muito pelo contrário. Se quisermos captar a atenção e interesse da criança conseguiremos com facilidade se transformarmos a nossa actividade docente num verdadeiro jogo. Assim, consegue-se que a aprendizagem da criança se transforme na mais divertida das suas actividades e para ela, aprender será sinónimo de jogar. Com o QI consegue-se que aprendam pelo prazer da descoberta, do jogo.

O dinamismo que considero fundamental aplicar nesta actividade com o QI, é a motivação que constitui a força que permite avançar em todos os domínios. Esta actividade precisa, como é óbvio, do trabalho e investigação do educador para conhecer quais as estratégias que são mais relevantes para o desenvolvimento da criança e fomentá-las, ao mesmo tempo que tem de avaliar a sua pertinência neste processo complexo de aprendizagem.

«Uma das actividades diárias na minha sala é a leitura de uma história, ora por mim ora pelos alunos que se oferecem. Uma tarde, a história foi lida no QI. O trabalho de preparação da história foi feito em casa (Flipchart: O conto das Estações: Trunfas o espantalho – 8 páginas). As crianças seguiram a história observando as imagens, desta vez no QI, como faziam com as figuras do livro, mas desta vez tiveram oportunidade de acompanhar a leitura do texto.

Mesmo sendo uma actividade mais passiva, o acompanhamento da leitura teve as suas vantagens pedagógicas. No entanto, revelaram muito mais entusiasmo nos flipcharts que se seguiram posteriormente, de exploração da história, onde a tónica está na interacção, no tal jogo».

O importante é saber como pensam e aprendem a pensar as crianças e então procurar as condições necessárias para que estas se entreguem comodamente à experimentação. Isto implica um contacto, não condicionado, entre a criança e o quadro, para que aquela vá canalizando, devidamente, acção e pensamento.

Os primeiros sinais primaveris aí estão… e naturalmente seguem o seu curso, dando-nos frutos mais tarde.

Como fruto, interessa criar uma cultura interactiva que ajuda não só a aprender, mas também a aprender sobre a aprendizagem, constituindo o Quadro Interactivo um elemento de auto-desenvolvimento mental para a criança que o utiliza. Isto é, interessa ensinar-lhes uma nova linguagem, a da programação.

Maria Inês Duarte Vieira da Conceição

31/03/2006