sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Crime e castigo

Ao analisarmos com mais profundidade a realidade de muitos dos nossos alunos nas escolas, verificamos que o seu sucesso depende, em grande medida, da sua capacidade de domínio da fala, da escrita e da leitura. Estas dificuldades, já bem detectadas pelos professores na várias escolas do país, consequentemente, acarretam uma série de outros problemas como a agressividade, o sentimento de fracasso, a depressão, a frustração, o isolamento, o desinteresse, desmotivação e, em alguns casos, a indisciplina e a violência. Noutros casos observados, alunos com grandes capacidades de leitura e de escrita, também revelam impaciência, desrespeito pelas actividades a desenvolver na sala de aula, desinteresse pelo estudo e pela escola.

Perante este cenário, parece-nos óbvio encaramos, de uma vez por todas, as causas deste problema, em vez de persistir no castigo e na punição, quando o aluno mostra a sua justa revolta.

É importante, pois, que os professores analisem atentamente a situação e que não continuem a classificar os alunos e “bons” e “maus”, sem determinar com exactidão as causas de tais comportamentos e atitudes, utilizando instrumentos de regulação adequados e medidas também elas apropriadas à resolução do problema.

O método simultâneo, tradicional, ainda muito utilizado nas salas de aula deve, de uma vez por todas, desaparecer para dar lugar a metodologias ajustadas às verdadeiras necessidades nos nossos alunos de hoje! Pela sua clara e constatada evidência, não será necessário aqui abordar a importância da imagem, da cor, do som, do movimento no dia-a-dia das crianças e dos nossos jovens…

É neste contexto que surge a nossa necessidade de estudar um pouco mais os sistemas de representação da informação, isto é, a forma como codificamos mentalmente a informação num ou vários sistemas sensoriais, olfactivo, cinestésico, auditivo e visual.

E a pergunta é: no método tradicional de ensino, no qual o professor privilegia a exposição de conteúdos oralmente, que espaço é dado à combinação dos vários sentidos?

No nosso ponto de vista, para que o aluno possa pensar de maneira consciente, para que possa organizar a sua experiência e construa o seu conhecimento, as metodologias pedagógicas a adoptar devem percorrer, simultaneamente, todos os sistemas sensoriais, ou seja, ao aluno devem ser propostas actividades que lhe permitam abordar a informação, de acordo com várias perspectivas e múltiplos suportes ou meios.

No âmbito do projecto Interact, com o auxílio de várias componentes tecnológicas, onde se destacam os quadros interactivos ACTIVboard, os ACTIVote e a construção de “flipcharts”, os vários professores e os seus alunos, desde o ensino pré-escolar até ao secundário, exploram os diversos conteúdos das diferentes disciplinas, recorrendo à transmissão de informação pela sincronização da imagem, do texto e do som, sem descurar a componente cinestésica, na medida em que o aluno interage activamente com os objectos e o software. Assim, a sua acção na sala de aula é mais participativa e colaborativa! Juntando todas estas sinergias da comunicação, o aluno absorve a mensagem com o mínimo esforço físico e psicológico.

De acordo com testemunhos dos alunos, “as aulas, assim, são mais fixes!”; e afirmam: “compreendemos melhor a matéria”, “gostamos de estar nas aulas”, “porque parece o nosso telemóvel”, “não temos de estar sempre a ouvir o professor” e “podemos mexer nas imagens, ouvir, música, ver vídeos, desenhar, escrever, ler, todos juntos e assim é muito mais fácil”.

O crime que se comete com o método tradicional de ensino arrasta o castigo. Para que a indisciplina, o desinteresse, a desmotivação, a frustração, o fracasso e o insucesso diminuam ou desapareçam, é necessário que se olhe de frente para a mudança urgente de metodologias pedagógicas! Ao contrário do que muitos professores pensam, os alunos gostam de trabalhar e de se esforçar, gostam de aprender, gostam de procurar soluções para os problemas, adoram colaborar com os seus pares e os professores, se lhes forem proporcionadas as condições para tal, permitindo-lhe a conquista da autonomia. Estou certo que novos métodos e abordagens promovem o respeito e a admiração para com o professor, logo, o castigo deixa de existir!

Porém, ninguém nasce ensinado! É preciso mostrar aos professores que é possível fazer diferente; que existem inúmeras formas de orientar o alunos no seu processo de construção do conhecimento e que é possível obter resultados muito satisfatórios, socorrendo-nos correctamente destas ferramentas tecnológicas! É urgente proporcionar aos professores um tempo para pesquisa, para investigação e construção de materiais didácticos adaptados às necessidades dos seus alunos! Esta tarefa, necessária e imprescindível, deve ser tida em conta na organização dos horários dos docentes... Como podemos pedir aos alunos que pesquisem, recolham, seleccionem e tratem a informação, se ao próprio professor não lhe for reconhecido esse direito e tempo necessários?

É também fundamental dar melhores condições de trabalho aos alunos e aos professores dentro do espaço de sala de aula, em todas as escolas, para que, de uma vez por todas, “a culpa não morra solteira”! É necessário que a banda larga nas escolas esteja efectivamente funcional; que as redes internas seja readaptadas e estejam preparadas para altos débitos de comunicação; que haja bons e novos meios tecnológicos multimédia capazes de gerir a informação rápida e eficazmente; …

O crime e o castigo dão lugar, então, ao prazer e ao bem-estar na Escola!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A Educação no Second Life

Second Life? Segunda vida?! Mas, afinal de que se trata?

Imagine um "outro mundo" virtual em 3D no qual pudesse passear, conhecer outras pessoas, conversar, contemplar paisagens, ouvir música, ver vídeos, dançar, criar os seus próprios objectos, fazer algum negócio, assistir a múltiplas conferências e seminários ou inscrever-se num curso de fotografia, de línguas, de História numa qualquer universidade ou escola?! Parece irreal, mas não é...

Pois bem, tudo isto é possível neste ambiente gerado pela Linden Lab. Sempre em contínua construção, neste simulador da vida real, onde "residem" quase 3 milhões de "avatares" (representação gráfica de um utilizador em realidade virtual), existe "uma complexa economia, fruto da sua existência há alguns anos . O fascinante nessa economia é o facto de ser possí­vel trocar "dinheiro de jogo" [Linden Dollars] por US dólares, graças à imaginação e criatividade de alguns participantes. Isto significa que é possí­vel ganhar dinheiro fazendo negócios na realidade virtual!"

Parece impossível, mas não é , se olharmos para o caso do Eggy Lippman (ou Jorge Lima na vida real) que se tornou no primeiro português a "ganhar a vida" no Second Life. Com ele, trabalham 30 profissionais na sua empresa, a Beta Technologies, cuja principal área de actividade é a construção de prédios e do respectivo mobiliário. Tive a oportunidade de o conhecer dentro do próprio seu edifício construído a 420 metros de altitude e de me sentar na sua sala de reuniões para conversarmos um pouco sobre esta outra dimensão do ciberespaço. Com ele, estava a gestora de negócios, a encantadora Gwyneth Llewelyn. Foi um encontro muito enriquecedor, pois permitiu-me aprender uma pouco mais sobre esta sociedade paralela e estabelecer novos laços de amizade. Também nos debruçámos sobre o tema Educação e a forma como está a ser explorada no Second Life. Foi-me dito que existem mais de 60 Universidades a leccionar no SL... Em Portugal, ainda temos muito caminho a percorrer, sem dúvida!

Também, com alguma regularidade, a convite do Prof. Carlos Santos, um grupo de alunos de Mestrado e Curso de Especialização em Multimédia na Educação e professores da Universidade de Aveiro se reúnem às quartas-feiras, pelas 22 horas, no Second Life, para discutir assuntos relacionados com tecnologias e educação, entre muitos outros... Para além de divertido, enriquecedor e proveitoso, esta experiência permite-nos reflectir seriamente sobre as vantagens desta "ferramenta" no contexto educativo.

"A IBM, a Sun, a Microsoft, a Sony, Reuters, Dell, Warner Brothers, Globo, BBC, Wells Fargo, American Apparel, entre muitas outras, são empresas que já têm edifícos a 3D no Second Life. A IBM, em particular, está a explorar seriamente a tecnologia e a considerar entrar no ramo do desenvolvimento de infra-estruturas de software que facilitem as actividades de comércio electrónico na plataforma. Vários artistas como os U2, Duran Duran e Regina Spektor também "moram" na "grelha" (nome oficial dado a esta realidade virtual). Em Agosto passado, Suzanne Veja tornou-se mesmo a primeira artista a dar um concerto virtual no Second Life." (JN)

Ao nível da Educação, existe um forte e participado forum de educadores que se debruçam sobre a utilização e exploração do SL para fins educativos. CNN.com


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Fontes
Simetria - Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico
Wikipédia
Jornal de Notícias


quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Comunicação na Lousã

No passado dia 15 de Janeiro 2007, pelas 18.30 horas, no âmbito da 3ª Semana da Ciência e da Tecnologia, na Lousã (Coimbra), apresentámos uma comunicação subordinada ao tema "Tenho um quadro interactivo na sala de aula... Sim, e depois?!", no Seminário intitulado "As TIC como complemento ao ensino aprendizagem".

Veja abaixo a apresentação em powerpoint (clique nas setas para visualizar os diapositivos). Para melhor visualização, em tela maior, clique aqui.




Partilhe as suas fotos

Dado que a imagem beneficia a compreensão de vários assuntos ("uma imagem vale por mil palavras!"), o professor pode ilustrar os conteúdos que lecciona com fotografias da sua autoria e, posteriormente, mostrá-las na sala de aula aos seus alunos. Com a ajuda do quadro interactivo, esta tarefa é ainda mais facilitada!

O Flickr dá a possibilidade aos utilizadores de comentar as fotografias. Imagine-se uma actividade a realizar pelos alunos, cuja tarefa seria, precisamente, a de tecer comentários, dar a sua opinião, lançar ideias e sugestões, etc.! Com as ferramentas da Web 2.0, abre-se ao professor um elevado leque de possibilidades de exploração da informação, no sentido da construção do conhecimento em comunidade... É apenas um proposta!

Aqui fica um tutorial realizado no âmbito de um trabalho para a disciplina de Ambientes de Gestão de Aprendizagem, pelo grupo Interagir, na Universidade de Aveiro:



quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Concurso Prrrotege.Te

O Concurso Prrrotege.Te 2006/07 tem como tema principal a Política dos 3 R’s – Reutilizar, Reduzir e Reciclar – e visa estimular os jovens a construir conhecimentos e reflectir sobre as questões e os problemas referentes ao meio ambiente em Portugal. É um desafio de carácter pedagógico, que dá ênfase a trabalhos criativos e inéditos.

O Concurso Prrrotege.Te 2006/2007 é um concurso de âmbito nacional e destina-se aos alunos do Ensino Básico (1º ao 9º ano), matriculados em escolas públicas e privadas, distribuídas pelo Ministério da Educação, distribuídos em quatro categorias: 1º CEB, 2º CEB, 3º CEB e Necessidades Educativas Especiais.

As inscrições, que terminam a 31 de Janeiro, estão disponíveis no sítio institucional do concurso na Internet, em www.revista-til.net/protegete, onde também é possível encontrar informação complementar sobre esta iniciativa.



terça-feira, 16 de janeiro de 2007

ACTIVstudio V.3 já disponível


A tão aguardada versão 3 do ACTIVstudio já está disponível para os utilizadores dos quadros interactivos ACTIVboard.
Esta versão ainda está em inglês. Porém, para quem o idioma não faz qualquer diferença, é possível descarregar, a partir do site da Promethean, esta actualização.
Para regozijo de muitos professores, esta nova versão sofreu profundas alterações, tornando-a ainda mais prática! Novas ferramentas muito úteis preenchem de novidades a "ementa".
Quando instalar esta versão, poderá manter no seu computador também a versão anterior. Assim, poderá ir treinando na versão 3, habituando-se à nova apresentação! Logo que esteja à vontade na sua utilização, poderá, então, desinstalar a "velha" versão...
A acompanhar a nova versão, também poderá descarregar pacotes com milhares de recursos!
Para aqueles que desejavam uma aplicação profissional (Developer), não perca as surpresas que o ACTIVstudio 3 lhe reserva...


Deixe aqui, nos "comentários", a sua opinião sobre a versão 3!
Dê-nos conta das novas funcionalidades e potencialidades
que vai descobrindo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

BETT Show 2007


Está a decorrer, em Londres, no centro Olympia, um dos mais famosos eventos mundiais BETT 2007 - The Educational Technology Show na área de Tecnologias de Informação e comunicação Educacionais, que inclui demonstrações de produtos, tecnologias e serviços para a Educação, workshops, seminários, entre outros.

Entre os dias 10 e 13 de Janeiro de 2007, este evento procura criar trocas de experiências entre comunidades de ensino e formação, e tem contado com a presença de cerca de 600 entidades que concebem materiais educacionais, para além de mais de 28 mil visitantes.




quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Apple apaixona com iPhone


O iPod da Apple veio revolucionar o mundo do MP3 e, agora, vem aí o iPhone...
Além de mais um incrível objecto de design, esta jóia possui potencialidades tecnológicas muito avançadas, capazes de fazer corar a concorrência, no mercado dos telemóveis!

Para quem fica maravilhado com as tecnologias e as suas aplicações, não pude ficar indiferente a este objecto agora anunciado ao mundo pela Apple! Portugal ainda terá de esperar até final do ano para ver mais de perto esta peça... :-(

E os portáteis Mac? Ainda não conhece?!

Não diga que não o avisei: quem os conhece, corre o risco de se apaixonar! Em muitas escolas de outros países como o Reino Unido, a França, a Suiça ou os Estados Unidos, esta tecnologia é mais utilizada que os PC's pelas crianças e pelos professores...

Saiba mais sobre este mundo,
clicando sobre a apple

Mas quem sabe tudo sobre isto é mesmo a avózinha
;-)

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

3.ª Semana da Ciência e da Tecnologia da Lousã

A Câmara Municipal da Lousã vai realizar uma Semana da Ciência e da Tecnologia, um certame educativo que decorre em todo o país e que pretende apoiar a actividade experimental, solidificando a aprendizagem das ciências. A terceira edição do Concelho da Lousã será realizada de 15 a 20 de Janeiro de 2007.
Neste evento, poderá assistir ao Seminário destinado a Educadores e Professores, no Auditório da Biblioteca Municipal da Lousã, no dia 15 de Janeiro (18h30), subordinado ao tema: "AS TIC COMO COMPLEMENTO AO ENSINO APRENDIZAGEM". Veja aqui o programa do Seminário.


Os bloguistas blogam na blogosfera

http://technorati.com/weblog/blogosphere/

Eis alguns “palavrões” novos na nossa língua. Para quem ande um pouco distraído no mundo da Internet, estes vocábulos podem agora causar surpresa e curiosidade. Para aqueles que já por cá andam há muito, este pequeno artigo pouca ou nenhuma novidade poderá trazer. Seja para uns ou outros, centraria a minha atenção na actividade docente e no desempenho dos alunos na chamada blogosfera.


No projecto “Interact – quadro interactivo na sala de aula”, os professores envolvidos são uns privilegiados, desde Fevereiro de 2006! Têm acesso a tecnologias na sua sala de aula que poucos (infelizmente!), nas escolas portuguesas, usufruem. Um quadro interactivo ACTIVboard 78’’, um videoprojector, um computador multimédia, com acesso à Internet em banda larga! Com estes meios, o ambiente, o aspecto, as actividades na sala de aula transformam-se. E é sobre as dinâmicas e o funcionamento da actividade docente que me debruço aqui um pouco.

Além de produzirem conteúdos extraordinários nos “flipcharts” com o software ACTIVsutdio ou ACTIVprimary, com apetecida interactividade e bastante originalidade, os professores podem utilizar outro software de terceiros ou, simplesmente, aceder à Internet para mostar ou visualizar um vídeo no YouTube, umas fotografias no Flickr, umas apresentações em Powerpoint no Slideshare, ler uma definição na Wikipédia, ler um post (entrada) num Blogue, ouvir um Podcast de uma emissão de rádio ou sobre um determinado tema, ver um programa de televisão em arquivo ou, ainda, ouvir aquela música em MP3 disponível e ler aquela notícia de última hora num jornal qualquer português ou estrangeiro… Ah! Tudo isto pode estar reunido no agregador pessoal de feeds RSS, como o Netvibes, para rapidamente aceder a toda esta panóplia de serviços!


Com tanta variedade de oferta de serviços e ferramentas da Web 2.0, tanto os professores como os alunos devem explorar tais potencialidades para diversificar as suas actividades e tornarem-se internautas mais activos, produtores de conteúdos, em vez de serem simples e meros consumidores passivos de materiais.

A Internet é já um enorme espaço social (Social Network) que conta com a colaboração de milhões de utilizadores no mundo. Exemplo disso, são os mais de 50 milhões de blogues criados a um ritmo alucinante de 50.000 por hora e um por segundo [1]; ou a tão popular Wikipédia, a “enciclopédia livre e gratuita, (…) colaborativa, ou seja, escrita internacionalmente por várias pessoas comuns de diversas regiões do mundo, todas elas voluntárias. [2].

O som, a imagem colorida em movimento ou estática e o áudio são bem mais atractivos para os nossos alunos. Esta nova era exige dos educadores e professores novas estratégias, novas abordagens dos conteúdos e, essencialmente, devem dar lugar à iniciativa do aluno. Tal como já num anterior “post” salientei "... é inquestionável que a abordagem de ensino deve fornecer aos aprendentes experiências de aprendizagem concretas e contextualmente significativas que incentivem a construção dos seus próprios modelos, conceitos, estratégias." [3] O saber, o conhecimento já não pertencem apenas ao professor. Este já é lugar-comum, sem dúvida! Porém, se ainda continuamos a repetir esta axioma, é porque continuamos também a repetir métodos arcaicos e tradicionais que já não estimulam ou motivam os nossos alunos… Aqui vai uma ajudinha: explorem a plataforma DidaktosOnline (http://didaktos.ua.pt/), baseado num perspectiva construtivista do conhecimento, e analisem a utilidade da mesma na constituição de comunidades de prática!

O velhinho quadro negro e o poeirento giz jazem mortos e apodrecem no projecto Interact. Aliás, numa escola do Projecto já havia morrido há mais tempo! [4] As actividades desenvolvidas com o auxílio dos quadros interactivos seduzem, atraem e promovem o interesse, a participação e a concentração dos alunos nos temas abordados nas várias disciplinas.

Agora, é preciso ir ainda mais longe! Explorar mais em profundidade novas ferramentas. E a questão ou o desafio que proponho a todos os professores é simplesmente este: criem vós próprios o vosso blogue da vossa disciplina ou área de formação, explorando ao máximo as suas potencialidades e os serviços gratuitos da Internet! Criem os vossos textos, as vossas propostas de actividades lectivas… Convidem os vossos alunos a interagir no vosso espaço, dêem-lhes privilégios de administração ou de colaboração para que, também eles, demonstrem que sabem e são capazes de desenvolver tão boas ou melhores actividades que os seus professores. Abram espaço ao diálogo, à discussão e debate de ideias e experiências!

É aqui que, no meu ponto de vista e apelando à minha experiência, se verifica o verdadeiro sucesso!

Se olharmos um pouco para o panorama de blogues, verificamos que existem os de sucesso e os de insucesso. O sucesso advém não só das visitas que recebem, mas, sobretudo, da sua capacidade de promoção da participação, ou seja, de levarem os seus participantes a redigir comentários! Os comentários geram novos comentários que, por sua vez, levam o administrador do blogue a dinamizar mais e melhor aquele espaço.

Infelizmente, os professores escrevem pouco! Os professores lêem, mas revelam-se pouco interventivos na blogosfera, quando são chamados a participar activamente com as suas ideias, opiniões, conhecimentos, experiências, sugestões ou propostas, mostrando assim o seu interesse, visando promover a expansão de uma comunidade de prática, de modo a preservar e aperfeiçoar sua capacitação e competência. Falta de tempo… Sempre a falta de tempo!

Pois bem, cabe a cada um decidir o que realmente pretende da sua prática pedagógica. As ferramentas, os serviços e as tecnologias estão aí… Acredite-se ou não, o domínio destes meios proporcionam uma enorme satisfação e bem-estar pessoal e profissional, quando aplicados ou explorados com os nossos alunos!

Por falar nisso, já blogou, hoje?


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Fontes:

[1] Technorati The Blog Herald
[2]
Wikipédia
[3] Moreira & Pedro (2006) DidaktosOnline: Teoria da Flexibilidade Cognitiva e Ensino Baseado em Casos, Universidade de Aveiro

[4]
Artigo no Ágora, número 6, Prof2000

Mais uma ferramenta da Web 2.0

As ferramentas da Web 2.0 vieram proporcionar aos utilizadores a capacidade de serem também produtores, com um papel mais activo no mundo da Internet.
O Tagzania é um exemplo interessante de utilização de mapas. Veja esta apresentação (powerpoint) que lhe mostra, passo-a-passo, como assinalar pontos de interesse no seu mapa.
Veja ainda mais abaixo neste blogue um exemplo de um mapa com pontos já assinalados. Localize, por exemplo, o Centro de Formação de Entre Paiva e Caima... Aproxime-se o mais possível com a escala lateral, no lado esquerdo do mapa (+ e -).
Esta ferramenta, tendo como suporte os quadros interactivos, poderá promover o trabalho colaborativo em contexto de sala de aula, dando aos alunos a possibilidade de serem eles próprios a personalizar os seus mapas. Está a ver como dinamizar esta actividade? ;-)



sábado, 30 de dezembro de 2006

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades"

Já afirmava o nosso ilustre Luís de Camões. Realmente, hoje em dia, os nossos alunos dispõem de uma quantidade infinita de recursos informáticos, que há uns anos atrás qualquer um de nós não usufruía. As próprias escolas, eu falo pela minha ( E.S.A.), estão apetrechadas com uma bateria de software e material informático que facilitam a mudança. Neste enquadramento, o professor tem necessidade de estar ao lado dos alunos. Sinto-me feliz, quando vejo o sorriso dos meus alunos, sejam eles do 8º, 9º ou 12ºanos, ao ligar o computador, ao pegar no comando para ligar o retroprojector para usar o Quadro Interactivo e quando dizem "a s'tora é que é bacana, usa as novas tecnologias!". A partir daqui gera-se uma atmosfera de cumplicidade entre professora/ alunos que cria um clima de inter-ajuda e que, consequentemente, favorece a aprendizagem.
Após quase um ano de utilização do Q.I., verifico que as aulas elaboradas a partir do ACTIVstudio são mais dinâmicas, criativas e a adesão dos alunos aos conteúdos programáticos é maior. Destaco, também a utilização do ACTIVote, que possui uma particularidade que é avaliar saberes sem ser necessário perder tempo na correcção, ou seja, avalia saberes e regista-os de imediato. Da utilização que fiz desta técnica, apreciei o envolvimento dos alunos e a sua atenção para que a sua avaliação fosse positiva, até porque se pode mostrar um resultado final em gráficos. Já me sinto como "peixe fora de água" quando, por falta de sala ou porque a imaginação não levou à criação, não uso o Q.I.
Quanto à questão da utilização do Q.I. bastar, por si só, não considero que chegue. Da experiência que tenho, constato que é necessário dinâmica por parte do professor, é necessário gostar de ensinar através do Q.I., é necessário paixão, tal como no ensino tradicional, também, se não houver paixão e dedicação, as aulas são monótonas e saturantes! A criação de flipcharts coloridos, com hiperligações e exercícios interactivos, na sala de aula, não chega, é preciso dinamizá-los e proporcionar a sua execução com a ajuda do seu criador. Cada um de nós cria um flipchart com uma motivação, com um fundamento, com um objectivo, mas só é executável se for encaminhado pelo próprio. Assim como qualquer obra, seja ela poética ou de outra arte, só o criador sabe o que o moveu para o construir, quando criamos um flipchart, só nós sabemos o que nos motivou. Mas, no entanto, penso ser necessária a transmissão e a partilha do trabalho!...
Por isso, considero que o professor tem um papel importantíssimo na aventura da descoberta da aprendizagem...

Sandra Ferreira
Prof. no Projecto Interact
Escola Secundária de Arouca

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Feliz Natal

para todos os professores, alunos e pais.


Tentemos encontrar um pouco de tempo
para dedicar àqueles que mais amamos e que precisam de nós!

Veja este vídeo

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Receita: “Brilho no Olhar”

O Projecto Interact apresenta como cabeça de cartaz o Quadro Branco Interactivo, que sem dúvida, desperta em qualquer um curiosidade e interesse instantâneo!... No entanto, por detrás deste cartaz existe um projecto com uma matriz ideológica que não se resume somente à aquisição de técnicas de manuseamento do Q.B.I., nem somente ao cumprimento da produção de quatro flipcharts/mês.

No 1º ano do Projecto Interact, a preocupação era conhecer esta nova ferramenta tecnológica, ao serviço da Educação, as suas potencialidades e operacionalizar tal desafio. Neste 2º ano, o bichinho da insegurança e dúvida aparece, não pela falta de domínio do Q.B.I. que garante o mínimo de estabilidade, mas pela produção dos flipcharts, por si só, começarem a ser uma rotina, correndo o risco de se tornarem reprodutores e homogeneizadores.pensativo

Considero que a produção dos flipcharts deve ser encarada como um desafio didáctico capaz de contribuir para a reinvenção de uma prática pedagógica partilhada, criativa e cooperativa entre os professores.

Os desafios colocados no Fórum [na plataforma moodle Interact Portugal] pelo nosso coordenador, José Paulo, são o sinal evidente da importância que este projecto dá à troca de opiniões, reflexões e experiências.

Este desafio, ao qual estou a responder, (mostre pai), leva-me a partilhar uma reflexão sobre esta dúvida: É a minha prática pedagógica que acende o brilho no olhar dos alunos ou são os flipcharts, (interactivos, coloridos, excelentes!)?pensativo

Os professores do Projecto Interact, sensíveis que são aos olhos perdidos, apáticos, distraídos e corpos entre o presente e ausente, dos alunos, questionam o sistema, a pedagogia, a metodologia e iniciam a busca de novidades, de ideias que nos prometam acordar a turma e acender o brilho no olhar.

Nesta inquietude entre permanência e mudança ampliam-se conversas e trocas e, chega-nos o Q.B.I. à sala de aula. Acciona-se no professor o mesmo tipo de sentimento que nos alunos, ou seja, o brilho no olhar, o entusiasmo, o interesse, a curiosidade…o jogo da descoberta. E assim, começa a aventura da produção dos flipcharts.


A chama está acesa, mas é preciso alimentá-la. Esta manutenção passa por uma prática pedagógica inovadora e dialogada, desenvolvida pelo professor, na sala de aula. Mas, temos que estar precavidos para a tentação da alimentação tipo “fast food”, correndo-se o risco de entrar numa cadeia de produção de flipcharts – transmissão – consumo imediato, levando poucos professores a subverter o modelo pedagógico, neste processo de mudança.


Interessa pois que os flipcharts, no fundo, materiais didácticos, se tornem provocadores da ousadia de espantar, investigar e criar, tanto nos professores como nos próprios alunos.


A receita para a manutenção do brilho no olhar está na Arte de Bem Ensinar, onde nós somos exímios mestres. Já agora, incluam o ingrediente: - Q.B.I. (dá-lhe um toque especial!) e, por favor, não guardem o segredo só para vós: partilhem.piscar

Maria Inês Conceição

Professora do 1º Ciclo

Centro de Formação de Entre Paiva e Caima no mapa

A aplicação do Google Earth em contexto educativo...
Esta poderosa ferramenta de localização no espaço de lugares via satélite fornece ao professor e ao aluno uma variedade de possibilidades de exploração de actividades em sala de aula...
Com o auxílio do quadro interactivo, o Planeta entra na nossa sala de aula e viajar é possível!


quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Blogue INTERACT premiado!


Prémios eLearning 2006

O Centro de Formação de Entre Paiva e Caima
tem o prazer e orgulho de informar que este
Blogue recebeu o prémio "TOP100 Prémios eLearning 2006".
De entre os 30 países concorrentes e as 550 candidaturas apresentadas,
o blogue do Projecto Interact foi seleccionado.
Dedicamos este prémio a todos os professores dinamizadores e inovadores
do Projecto Interact, assim como aos respectivos alunos!
Aos Pais e Encarregados de Educação, Associações de Pais,
Conselhos Executivos e a todos aqueles que nos visitam,
os nossos sinceros agradecimentos
por acompanharem e apoiarem
a evolução deste Projecto inovador
na Educação em Portugal!

A Coordenação do Projecto Interact


Avaliação:
Todos os projectos são avaliados online. Os avaliadores são especialistas na utilização das TIC na educação. Após a selecção inicial, os projectos elegíveis são enviados a avaliadores em diferentes países da Europa. Sempre que possível, os avaliadores não avaliam projectos oriundos dos seus próprios países. Os avaliadores pontuam os projectos segundo vários critérios, por forma a estabelecer uma short list de possíveis vencedores. Em paralelo, identificam também candidatos a vencedores dos prémios especiais. Os Parceiros dos Prémios eLearning podem estar envolvidos na selecção dos vencedores dos prémios especiais, por eles patrocinados. Os avaliadores terão em consideração os seguintes critérios:
  • inovação pedagógica
  • qualidade técnica
  • promoção da aprendizagem activa
  • conteúdos
  • evidência de trabalho em ambiente de rede e colaboração
  • transferabilidade
Os membros do Júri, constituído por autoridades respeitadas no domínio das TIC na educação, avaliarão então os projectos admitidos à short list pelos avaliadores e seleccionarão os vencedores. A selecção do top 100 e dos vencedores é final e inapelável.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Avaliação Interna com ACTIVote

Olá caros colegas,

Em primeiro lugar quero felicitar todos aqueles que têm trazido a este blog o relato de experiências e o testemunho do trabalho interessantíssimo que se pode realizar no âmbito dos quadros interactivos ACTIVboard. Sou docente da Escola Secundária de Vale de Cambra e, no passado dia 29 de Março, participei de uma experiência que gostaria de partilhar convosco. A nossa escola está a levar a cabo, a título experimental, um processo de avaliação interna. Durante o primeiro período, os docentes foram convidados a responder à primeira fase do inquérito. No segundo período, a equipa responsável por esse trabalho, com a colaboração do Conselho Executivo, entendeu dever “testar” os quadros interactivos também neste tipo de actividade, propondo-se fazer um ACTIVote com o inquérito. Da intenção à prática foi apenas o tempo de preparar os inquéritos e os equipamentos. Devo dizer que correu extraordinariamente bem. Foram realizadas duas sessões: a primeira demorou cerca de 45 minutos, mas era só para “aquecer”! É que a segunda já só demorou 20 minutos! No final do inquérito, quando questionadas sobre a eficácia desta modalidade de inquérito, por comparação com a que foi utilizada na primeira fase, invariavelmente as respostas apontavam para um muito maior interesse e eficiência. Foi essa também a percepção da equipa que trabalhou no projecto. Após a tarefa de responder às questões, o tratamento dos dados ficou também muito mais facilitado, porque o ACTIVote permite fazer a estatística de cada resposta em tempo útil e exportá-la, por exemplo, para uma folha de cálculo do Excel...

O mais interessante nesta experiência é a consequência que adveio: o coordenador da formação nos quadros interactivos da nossa escola propôs uma sessão de formação a todos os professores para o dia 11 de Abril. Então não é que, depois da sessão de avaliação da escola, os pedidos de inscrição para essa formação cresceram significativamente?!

Experimentem e comprovem que algumas “tecnologias” não são só demagogias... o efeito “camaleão” é uma realidade...

Prof. Cristina Filipe

domingo, 26 de novembro de 2006

A WEB: memória colectiva ou lixeira?

Nunca se escreveu tanto como hoje. Nunca se produziram tantos documentos como agora! Na grande teia proliferam milhões e milhões de textos. Imagem, som, vídeo! Novos conceitos, novas visões, novas teorias emergem sobre o presente e o futuro da WEB.

Parece-nos, de acordo com vários investigadores (loucos?), que a WEB tal como a vimos surgir paulatinamente pela mão de Tim Berners-Lee tem os seus dias contados… À medida que foi proliferando o número de utilizadores de computadores e de ligações à Internet, exponencialmente também se multiplicaram as páginas WEB.

Ora, a escrita, de facto, desenvolveu-se fortemente. Alguns, afirmam que a Internet se tornou uma lixeira; outros, porém, defendem que estamos perante um fenómeno que nos lança para uma nova direcção, um novo caminho…

O ‘Blogging’ modificou em profundidade o conceito da WEB. Todos contribuem com ideias; cada um diz o que pensa! E, naturalmente, constroem-se pontos de interesse, temas comuns representados de múltiplas formas, seja pela imagem, pelo texto, pelo vídeo, pelos som…
Procurar informação, boa (ou má!), começa a tornar-se uma tarefa hercúlea que nos faz perder tempo. Mas eis que surgem novas teorias ou tendências ou termos: “consciência artificial”; “criação social em rede”; “inteligência colectiva”; “WEB 2.0″; “WEB 3.0″; “Bookmarking”; “WEB semântica”… para tentar dar resposta a uma necessidade premente de (re)organizar a Internet.

É chegado o tempo de nos organizarmos no caos gerado. Para isso, as TAGS parecem uma solução democraticamente mais clara e mais objectiva para classificar tão abundante informação. Será?!

Entretanto, vamo-nos lobotomizando neste espaço colectivo, onde a simbiose, a dependência ou o vício coexistem! Que TAG se destacará?

"...estamos ainda distantes da revolução Educação 2.0"


Roberto Carneiro, ex-Ministro da Educação, faz uma curta reflexão sobre a utilização das TIC nas escolas, numa entrevista ao EDUCARE.PT:

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E: Segundo a OCDE, a maioria das escolas portuguesas tem, em média, um computador por cada 10 alunos. Para além disso, quando as direcções das escolas são inquiridas sobre a importância das TIC, continuam a considerar que a falta delas "não é muito prejudicial" no ensino. Considera que existe desinteresse pelas TIC nas escolas portuguesas?
RC: A mera exibição de indicadores de acesso a equipamento informático diz-nos muito pouco sobre o seu uso efectivo. E, sobretudo, fica muito aquém de uma real compreensão do eventual impacto das TIC - que pode ser vasto e relevante - sobre a modificação dos modelos de relacionamento no seio das escolas e sobre a reformulação das práticas pedagógicas e gestionárias. Penso que, com algumas excepções (poucas), as TIC não se entrelaçaram com visões transformadoras do todo escolar e, muito menos, com estratégias de renovação pela base das pirâmides educacionais. Por isso, mais do que "mero desinteresse" o facto desolador é que as TIC têm sido encaradas essencialmente como segmentos isolados da vida curricular e, no demais, como ferramentas muito úteis para descarregar informação e "objectos do conhecimento codificado" na direcção professor-aluno. Para utilizar uma analogia inspirada em metáfora do mundo da nova Internet estamos ainda distantes da revolução Educação 2.0 em que as TIC sejam o propulsor de comunidades de aprendizagem efectiva e de uma nova ética do esforço e da disciplina de escola susceptível de ultrapassar o laxismo de uma educação sem chama nem dedicação.
Leia a entrevista na íntegra aqui
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A metafóra apresentada sobre o mundo da nova Internet remete para a segunda geração da Internet, a WEB 2.0. Dentro deste conceito, vários são os serviços e as tecnologias em expansão que convergem para uma maior colaboração e interactividade entre os utilizadores.
No meu ponto de vista, faz todo o sentido que os professores conheçam e adoptem, em profundidade, estas tecnologias com os seus alunos.
Assim, proponho que os docentes façam uma pesquisa em torno de ferramentas e conceitos da WEB 2.0, tais como:
  • sindicância (ex. feeds de RSS)
  • agregação ou mashup (Netvibes, etc...)
  • social bookmarking
  • TAGS
  • blogues
  • wikis
  • folksonomia
  • (...)
Para ajudar nesta procura, destaco três sítios: aqui, aqui e aqui

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Uma experiência gratificante… em final de carreira

Caro amigo Pinho,

não tenho palavras para descrever simultâneos e paradoxais sentimentos neste momento: a alegria e a tristeza. Sinto a felicidade de ter conhecido e privado de perto com a pessoa e o profissional que é o Manuel Pinho. Sinto a mágoa de ver o afastamento daquele que luta e se mantém actualizado; daquele que vive para e pelo Ensino; daquele que acarinhou e fomentou o Projecto Interact na escola e na comunidade a que há muito pertence. O meu agradecimento pela mensagem e conselho que nos dá...
Deixo-lhe a minha sincera homenagem com um poema do poeta e amigo Eugénio de Andrade:

Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria -
por mais amarga.



Ao cessar funções, por motivo de aposentação, como Professor e Coordenador da EB1 de Praça, Macieira de Cambra, quero agradecer ao colega [José Paulo Santoas] toda a disponibilidade e empenho que demonstrou junto de todo o corpo docente desta Escola para que o Projecto Interact fosse uma realidade e um grade factor de sucesso escolar na nossa comunidade.
Brevemente serei substituído e, para que o Projecto não esmoreça (o que seria uma imensa perda e uma imensa pena), peço que apoiem e incentivem, até ao limite, o meu sucessor ou sucessora. É que acredito que uma boa parte do futuro das nossas Escolas está nos Quadros Interactivos.
Com votos dos maiores sucessos em todo o Projecto, despeço-me com um até sempre.
Pinho
Nota: Anexo um pequeno texto que, se o Professor José Paulo entender, poderá publicar no Blog.


Uma experiência gratificante… em final de carreira

Aderi ao Projecto Interact a um ano do fim da minha carreira. A princípio com alguma desconfiança que se desvaneceu logo que comecei a explorar as potencialidades desta maravilhosa ferramenta que são os Quadros Interactivos. Na sala de aula, o entusiasmo cresceu, as aulas começaram a ser diferentes, a concentração dos alunos atingiu picos nunca vistos, o sucesso educativo começou a reforçar-se.

De facto, é um privilégio para um Professor ou Professora dispor, na sua sala de aula, de um Quadro Interactivo. Depois… a preparação das aulas arrasta consigo tal magia que nos esquecemos do relógio, da noite, do descanso. Mas no fim, ao vermos o produto do nosso trabalho e o impacto que causou na turma, tudo esquece.

Por outro lado, sentirmos a alegria dos Encarregados de Educação, quando se referem a entusiásticos comentários dos seus filhos, como, por exemplo: “mamã, amanhã é o dia de eu ir ao quadro”. E essa alegria é de tal forma contagiante que, casos há, em que os pais decidiram investir nestas ferramentas.

Um ano passou, a minha carreira terminou. No entanto, fico com a satisfação de ter realizado uma experiência profissional inovadora e gratificante. Por isso, deixo aqui um apelo a todos os colegas: nunca é tarde para aprender e para investir no futuro.

Manuel Augusto Ferreira de Pinho

domingo, 5 de novembro de 2006

Projecto Novas Tecnologias(tudio)

Para que a Escola possa proporcionar aos seus alunos uma formação que responda afirmativamente às novas solicitações da "Sociedade de Informação", é imperioso, mais do que nunca, apostar numa mudança das práticas pedagógicas. Tal mudança passará necessariamente pelo progressivo envolvimento das ditas “ferramentas digitais”, comummente conhecidas por Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), no processo de ensino/aprendizagem.
Atenta ao presente mas com os olhos colocados bem no futuro, a Escola E. B. 2, 3 de Vale de Cambra tem, de alguns anos a esta parte, investido de forma consciente e decidida na candidatura a projectos que promovam, junto de alunos e professores, o gosto pela escrita, leitura e pesquisa digital. No presente ano lectivo, como não poderia deixar de ser, a aposta do Projecto Educativo do Agrupamento Vertical de Escolas do Búzio no digital mantém-se com a implementação do Projecto Novas Tecnologias.
Uma das vertentes deste projecto é a formação de alunos utilizando os computadores portáteis (catorze ao todo), Internet sem fios e Software específico para os Quadros Brancos Interactivos ACTIVboard. Assim, a escola disponibiliza três tempos lectivos semanais (segundas, terças e quintas-feiras, das 12.00 às 12.45 horas) para que os alunos, sob a orientação de um professor, possam:
· Desenvolver competências básicas de informática integrando as TIC na sua vida escolar;
· Produzir conteúdos educativos interdisciplinares, normalmente em ACTIVstudio Professional Edition, que possam ser rentabilizados, numa nova dinamização pedagógica;
· Desenvolver a capacidade de aprender de forma autónoma, utilizando os materiais didácticos disponíveis numa plataforma de aprendizagem on-line e/ou no Portal do Agrupamento;
· Desenvolver a competência de pesquisa, organização e reutilização da informação disponibilizada na Internet;
· Desenvolver um espírito de partilha e de comunidade em ambientes virtuais.
Deste modo, ao associar a tecnologia portátil à tecnologia ACTIV da Promethean, a escola promove conscientemente a autonomia na aprendizagem, pois o aluno não só aprende a fazer, apropriando-se do “know-how” proporcionado pelas novas ferramentas tecnológicas, como também constrói o seu próprio saber…
Mário Silva
PQND da E. B. 2, 3 de Vale de Cambra

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Criança... um potencial em acção!

Ao criarmos o projecto "Interact - quadros interactivos na sala de aula", não só estaríamos a criar uma grande oportunidade a vários professores de desenvolverem projectos com auxílio das tecnologias nas várias disciplinas, como poderíamos desenvolver o gosto pelo "ir mais longe" na utilização de novas metodologias de aprendizagem.
Ora, muitos têm sido, desde o início da sua implementação, os testemunhos positivos dos alunos e dos professores. Situações de aprendizagem complexas para os alunos tornaram-se mais claras e simplificadas com o auxílio dos conteúdos originais interactivos criados pelos professores!
No vídeo abaixo (44 segundos), precedido de um texto da educadora desta criança, poderemos observar uma situação que nos deixa a pensar profundamente sobre as capacidades das crianças em tenra idade... Que estratégias, metodologias desenvolver e aplicar para estimular a criatividade dos nossos alunos?

"... é inquestionável que a abordagem de ensino deve fornecer aos aprendentes
experiências de aprendizagem concretas e contextualmente significativas
que incentivem a construção dos seus próprios modelos, conceitos, estratégias."

Moreira & Pedro (2006)
DidaktosOnline: Teoria da Flexibilidade Cognitiva e Ensino Baseado em Casos, Universidade de Aveiro


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"O contacto e a manipulação de materiais diversificados expõem a criança a determinados desafios em que ela age com espontaneidade.

De facto, digno de registo tornou-se uma criança de tenra idade, quando ocasionalmente lhe deram para as mãos uma pen ("caneta”) e a expuseram perante um quadro interactivo. É de salientar que essa criança está inserida num grupo de crianças de faixas etárias diferentes (3, 4, 5 anos). Três dessas crianças, de 4 anos de idade, no ano anterior, tinham participado no Projecto Interact e, como tal, proporcionaram aos amigos uma “apresentação à sua maneira”.

Depois das informações dadas, eis que surge a fase experimental onde crianças ”curiosas” individualmente iriam revelar as suas potenciais aptidões.

Perante o que até ali era impensável, eis que uma criança de três anos, aparentemente confiante, regista a sua figura humana ao mesmo tempo que faz questão de descrever oralmente o que faz, numa linguagem pouco acessível.

É sem dúvida uma lição de vida profissional…

uma criança é, sem dúvida, um potencial em acção.

A Educadora de Infância
Maria Fernanda Alves
Jardim de Infância de Macinhata (Vale de Cambra)
Ano lectivo 2006/07





segunda-feira, 2 de outubro de 2006

“Tempo de investimento…tempo de crescimento…”

Como Educadora de Infância utilizadora do Q.I., no Jardim de Infância da Praça, quero agradecer à APEECEP, o modo como sentiu a importância deste equipamento, ou seja, a sua importância na promoção de uma educação mais completa, ao abrir novas janelas para a aquisição por parte da criança de um conhecimento mais alargado e mais criativo. Também para mim, como profissional da educação, muito mudou na minha postura face às novas tecnologias. A Educação Pré-escolar é o único nível de educação que não usufrui de computador no seu ambiente de trabalho. Torna-se assim mais difícil para a Educadora aceder a uma prática assídua e deste modo potenciadora de maior conhecimento da sua utilização e potencialidades.
Para terminar, afirmo que o investimento feito a partir de Fevereiro de 2005, revelou-se um tempo de crescimento não só para as crianças, mas igualmente para mim como profissional. Vou ficar à espera de mais um Q.I. na segunda sala da Pré-primária…

Manuela Maia

Projecto Interact referenciado no eLearningEuropa.info

Um PORTAL acerca da utilização
das tecnologias de informação e comunicação
para melhorar a aprendizagem

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Escola–Comunidade: uma parceria interessante

O Centro Educativo da Praça, Macieira de Cambra decidiu, de há uns tempos a esta parte cortar relações com a rotina e apostar numa forma de estar inovadora e conducente a uma escola de excelência. Em algumas salas, quer da Escola, quer do Jardim de Infância, o velho quadro negro foi trocado por quadros brancos, não estáticos, mas com vida, onde o aluno não se limita a escrever, mas trabalha interactivamente os conteúdos apresentados.

Para que isto seja possível, é necessário que Professores e Educadores de Infância ultrapassem os seus limites, se esqueçam do relógio e vivam, até ao último momento, para um projecto que, de facto, me parece a grande aposta do futuro. Construir aulas atractivas, à justa medida dos alunos da turma, motivando-os para aprender, para a construção dos seus próprios conhecimentos, para o prazer de estar na escola (há dias diziam-me os meus alunos: - “Professor, não queremos ir ao recreio, queremos ficar aqui no quadro!”) é, na realidade, caminhar para um ensino de excelência.

Mas a excelência não está só na tecnologia, mas também na abertura da Escola à Comunidade. E isso vê-se no nosso Centro Educativo. É com a Associação de Pais e Encarregados de Educação (legítimos representantes da Comunidade) que construímos o nosso projecto. É apresentando-lhes as nossas ideias, discutindo e aceitando as deles, que se gera uma envolvência e uma dinâmica com efeito de bola de neve. E isto vê-se no entusiasmo que a Associação de Pais põe na organização do Arraial Convívio, da tômbola e de tantas outras iniciativas. Os fundos angariados são postos ao serviço da Escola, não para gastos superficiais ou supérfluos, mas para apostar na inovação – muito recentemente a Associação de Pais apostou na compra de mais um quadro interactivo.

Na sociedade actual, a Comunidade Educativa tem que procurar ser mais activa, interveniente, dialogante, construtiva. Os Pais não podem estar contra a Escola, mas com ela. E isto sente-se na Escola do Primeiro Ciclo da Praça – Macieira de Cambra. Depois, gera-se uma onda que envolve no processo educativo a Autarquia, as Associações e outras entidades.

O resultado começa a aparecer…

O futuro fará história.

M. Pinho

Coordenador da Escola E.B.1 da Praça

Macieira de Cambra – Vale de Cambra

Escola INTERACT

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

A colaboração dos pais é fundamental no Interact


A Associação de Pais e Encarregados de Educação do Centro Educativo da Praça registou com muito agrado neste site, no passado mês de Junho, a instalação de dois quadros interactivos na nossa escola, um numa sala de aula do 1º ciclo e outro no Jardim de Infância, e, atendendo ao excelente acolhimento que os mesmos mereceram por parte dos alunos, professores e educadoras, comprometeu-se a desenvolver esforços no sentido de aumentar o número deste tipo de equipamentos.

Após três meses, é com satisfação que podemos informar que já foi formalizada a encomenda de um novo quadro interactivo e que a nossa escola tem professores que aguardam a sua instalação com ansiedade.

Em qualquer área de trabalho, muito dificilmente se conseguem bons resultados individualmente, e só o envolvimento e colaboração de todos os grupos com ela relacionados garante a evolução positiva. Neste caso, de nada valeria o esforço desenvolvido pela Associação de Pais na angariação de fundos e aquisição de novos quadros interactivos, se não pudéssemos contar com a grande disponibilidade e dedicação dos professores e educadoras, que ocupam muitas horas do seu tempo a preparar as apresentações electrónicas das aulas, que tanto motivam e encantam os nossos filhos (uma pequena nota para referir que foram vários os pais de alunos do Jardim de Infância que, no último período de aulas do ano lectivo transacto, nos deram conta que os seus filhos ficavam tristes nos dias em que o acesso ao quadro interactivo era concedido aos seus colegas, o que comprova a atracção que o mesmo exerce sobre as crianças).

A Associação de Pais deixa aqui o seu sentido reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos professores, educadoras, Agrupamento Vertical de Escolas do Búzio e Centro de Formação de Entre Paiva e Caima, e mantém o compromisso de continuar a colaborar activamente no desenvolvimento da nossa escola. Por fim, um agradecimento especial dirigido a todos os pais, familiares e amigos dos alunos da Escola da Praça, pois são a “origem” dos fundos que conseguimos recolher.


Associação de Pais e Encarregados de Educação do Centro Educativo da Praça (APEECEP)

Jardim de Infância e EB1 da Praça – Macieira de Cambra

Agrupamento Vertical de Escolas do Búzio – Vale de Cambra

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

K.O. aos quadros negros

Um novo sistema de quadro interactivo está a revolucionar o ensino nas escolas de Vale de Cambra, Arouca e Castelo de Paiva. No lugar do tradicional quadro negro, um outro abre caminho, concretizando praticamente qualquer ideal e libertando a criatividade do professor.


Desde Fevereiro deste ano, 21 escolas, do pré-escolar ao secundário, da área geográfica do Centro de Formação do Entre Paiva e Caima têm ao seu dispor um conjunto de ferramentas para dinamizar a aula. Um computador, um quadro branco interactivo onde projectar a imagem do monitor, um projector e uma caneta a ocupar o lugar do rato são os elementos essenciais. O resto é com o software – há dois disponíveis, dependendo do grau de ensino – e com o uso que o professor lhe quiser dar. As possibilidades são infinitas. O programa reúne, se não tudo, grande parte das características dos conhecidos aplicativos de texto e imagem, mas aqui ao serviço da docência. É possível escrever com vários tipos de letra, tamanho ou cor, auxiliar-se de imagens – disponíveis na biblioteca do software ou adicionadas pelo utilizador -, trabalhar sobre vários tipos de grelhas – linhas, quadriculada, lisa ou mesmo pautas musicais -, etc. Todas as tarefas executadas naquele quadro são guardadas. A criatividade de cada um dita as regras num jogo em que as estratégias podem ser às centenas. O sistema faz-se ainda acompanhar de uma ferramenta, o ACTIVslate, que não é mais que um pequeno quadro onde o professor ou o aluno faz exactamente o mesmo, mas à distância. Desta forma, o docente pode circular pela sala e o aluno pode “ir ao quadro” sem sair da cadeira. Também sem se moverem do lugar, todos os alunos – e não só alguns, como é hábito – podem responder às perguntas do professor. Basta ser uma pergunta de resposta sim/não, verdadeiro/falso, ou escolha múltipla. Através do ACTIVote (na foto), um pequeno aparelho do tamanho de um punho fechado, cada aluno pode votar na resposta que julgar ser a correcta. O software converte as respostas dadas para percentagens e apresenta-as num gráfico ou mesmo em folha de Excel. Numa turma de 30 alunos, onde é difícil saber quem sabe e quem não sabe, este extra acaba por ser uma ajuda à avaliação do docente, uma vez que grava as respostas individuais de cada aluno. Até aquele aluno que nunca fala nem levanta o braço pode dar o seu contributo.
O ACTIVote tem-se revelado tão eficaz, que a Escola Secundária de Vale de Cambra, onde está instalado o Centro de Formação Entre Paiva e Caima, tem usado o sistema na sua própria avaliação interna junto de professores e demais funcionários.


Sucesso do equipamento depende do docente

Para além de uma concentração redobrada, José Paulo Santos garante melhores resultados. “Os miúdos hoje funcionam muito através do visual, da imagem. Ora isto com o quadro negro é impossível e não há dinamismo. Com o quadro interactivo há cor e movimento!”, explica o professor, realçando a capacidade que a nova ferramenta tem de guardar tudo o que nela é exposta.
No entanto, engana-se o professor que pensa fazer milagres apenas com o quadro, adverte o coordenador do projecto. O primeiro passo é inovar a metodologia de ensino, o que, de acordo com José Paulo Santos, “para muitos, é difícil”. É suposto que o docente passe a ser um monitor na sala de aula, mas sem deixar que o quadro assuma o protagonismo.
O quadro interactivo não está alheio ao risco de perda de popularidade. Depois de um a dois anos, a novidade já não é assim tão nova e cabe ao professor impedir que isso aconteça. “O docente tem de continuar a mudar o seu estilo, a diversificar actividades”, recomenda José Paulo Santos, desaconselhando o uso frequente do quadro, sob o risco de professor e aluno ficarem dependentes do instrumento e o primeiro perder a criatividade. Além disso, a luminosidade do quadro interactivo pode prejudicar a visão de ambos.


O projecto, intitulado Interact, está em prática desde Fevereiro de 2005. Antes disso, o coordenador e grande impulsionador do Interact, o professor José Paulo Santos, tentou candidatar o projecto ao programa europeu Sócrates/Minerva. A candidatura abrangia não só escolas portuguesas como europeias. O chumbo de Bruxelas levou José Paulo Santos a recorrer a empresas para estabelecer parcerias que lhe financiassem o equipamento. A empresa inglesa Promethean forneceu os 25 quadros interactivos e a Sanyo os 25 Activslate, 25 Activtablet, 10 conjuntos Activote e 15 projectores. Os custos ultrapassaram os 100 mil euros.
(...)

in jornal ALERTA!
Anabela Carvalho

24-9-2006, a!

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

O espectáculo vai começar!

O ano lectivo 2006-2007 está aí! As escolas reabriram as portas (que nunca fecharam!) à chegada dos seus professores. É tempo, agora, de organizar o novo ano de trabalho, planificando as aulas de acordo com os programas de cada disciplina.

Se alguns professores mostram satisfação pela sua colocação, muitos outros denotam já frustração, tristeza e desilusão, pois foram “atirados” para escolas distantes de casa, longe da família, obrigando-os a um esforço físico e psicológico diário que deixa pouca margem à simples alegria de tirar o máximo partido desta magnífica profissão de PROFESSOR!

A todos estes colegas, deixo aqui a minha homenagem e o meu profundo respeito pela coragem, pelo empenho e pela dedicação a esta “missão”, apesar de todas as dificuldades e incompreensões…

O Projecto Interact, também ele, aproveitou o sol para regressar mais vivo e determinado.

Para satisfação do Centro de Formação de Entre Paiva e Caima, a maior parte dos professores vão manter-se ligados ao projecto nas várias escolas. Contudo, alguns, compulsivamente ou não, abandonam para tristeza nossa e deles, como se pode comprovar através desta mensagem:

Olá. É com tristeza que escrevo este email. A tristeza de ser contratada e ver-me obrigada a ser afastada, ano após ano, das escolas por onde tenho passado. Participei no projecto, que nos envolveu a todos, com enorme prazer. Para mim, foi fascinante descobrir as potencialidades do programa, em conjunto com as crianças. Agradeço todas as preocupações que tiveram comigo e, sobretudo, terem permitido que eu mostrasse o meu interesse. Neste momento, resta-me esperar que a minha colocação seja num agrupamento envolvido no projecto. Ou que surja dentro do grupo do projecto Interact um espaço para eu continuar a aprender convosco. Bom ano de trabalho. Podem contar sempre comigo. Educadora Isabel Maia

Aos colegas Isabel Maia, Glória Regina e Francisco Madureira, entre outros, os nossos mais sinceros agradecimentos pelo trabalho que desenvolveram, cumprindo largamente os objectivos do Interact. O vosso contributo foi grandioso! O nosso reconhecimento é enorme!

Como nem tudo são tristezas, para o relançamento do projecto Interact, proponho a leitura de um texto da autoria da colega Inês Conceição cuja narrativa nos tem habituado ao encanto:


O espectáculo vai começar!...

Muito se tem falado da Educação em Portugal, sobre a classe docente, à qual pertenço, por vezes, usando-se um discurso um tanto ou quanto agressivo, criando um mal-estar entre nós, profissionais de educação.

Para acalmar este desconforto, desvio o meu pensamento para o meu segundo sonho profissional – fazer teatro…mas, imediatamente recordo as palavras do actor Raul Solnado, ditas numa entrevista televisiva, faz já algum tempo:

«…os professores! Esses sim… são actores verdadeiramente espectaculares. Enquanto que eu tenho de representar a mesma peça para públicos diferentes, cada dia… eles têm, diariamente, a plateia cheia, sempre com o mesmo público, para o qual têm de representar de maneira diferente e assim continuarem a ter “ casa cheia”…».

Afinal, como professora/actriz consigo ser verdadeiramente espectacular!...

O teatro, como a sala de aula, é um espaço mágico, mesmo estando vazio… o mais complicado é manter essa magia quando as portas abrem e as salas se enchem!

Convido-vos a virem ao “teatro”…e assistirem ao ensaio do “professor/actor”.

As célebres pancadas de Molière já se fazem ouvir e em breve abrem-se as cortinas e …o espectáculo vai começar!...

Os cartazes anunciam que vão ser várias as salas, fruto de um intitulado “choque tecnológico”, a fazerem magia tendo como suporte técnico, ferramentas de todos os tipos: mais verbas, mais computadores, mais banda larga, …Quadros Brancos Interactivos… (Ah! Que fascínio!) …

O QBI (Quadro Branco Interactivo) é um novo “cenário” sobre o qual, os olhos inquietos e descobridores, dos espectadores, focam a sua atenção!...

Sobre os QBI apontam-se as luzes dos holofotes para melhor se visualizar a cor, o dinamismo, o entusiasmo, a motivação, …a felicidade que eles trouxeram às salas.

Se é verdade que os QBI são úteis e um fascínio é preciso reconhecer que eles não se podem tornar o aspecto central das salas de aula. A primeira e indispensável qualidade de uma boa aula reside na qualidade do professor que aí dinamiza boas práticas. O teatro não se faz só com cenários, há mesmo excelentes representações sem cenários. Por isso, é no palco, naquele espaço que medeia a plateia e o cenário, que o actor/professor representa e faz com que, dia após dia, aconteça magia, tenha”casa cheia” e a peça seja um sucesso.

Os bons professores sabem o que se deve fazer e esforçam-se por fazê-lo.

Vislumbram-se grandes reformulações e reconversões pedagógicas!...Será que o ensino precisa assim tanto delas?!...

O mais importante será partilharmos o que de tão bom já se faz, reflectir e consolidar metodologias provadas, adoptando-se as mudanças para o que a experiência/prática já deu provas de funcionar.

Os QBI podem ser a lufada de ar fresco, que atravessa o palco e chega ao público levando consigo a frescura e leveza do conhecimento. Podem ser aproveitados como uma ferramenta proporcionando algumas mudanças/adaptações metodológicas e dando uma maior consistência a estratégias inovadoras. Por experiência própria, considero que essas mudanças devem ser graduais, testadas e avaliadas.

É com esta visão, através do espírito de partilha, trabalho, esforço desmesurado, persistência e dedicação do nosso coordenador, José Paulo Santos, que o Projecto Interact tem programado e criado espaços de partilha e reflexão:

Para terminar este ensaio do “professor/actor”, anuncio:

“O espectáculo vai começar…” e a 2ª digressão de QBI na sala de aula vai iniciar…

Chegou a hora de compartilhar meditações e começar a ler os guiões… mas, guiões que tragam às nossas salas representações espectaculares e se o público nos levar a afastar do guião, o improviso é a solução!... O que interessa é que a magia aconteça espelhando felicidade quer do aluno quer do professor/actor.

Maria Inês Duarte Vieira da Conceição
Prof. do 1º Ciclo