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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Blogue do Projecto Interact celebra 3 anos

Celebramos, hoje, dia 26 de Fevereiro de 2009, três anos de existência do blogue Interact - quadro interactivo nas salas de aula.

Um mês após o lançamento oficial do Projecto INTERACT (26 de Janeiro 2006), na Escola EB 1 de Macieira de Cambra, foi criado este blogue para publicar informação relativa ao desenvolvimento do projecto nas escolas de Castelo de Paiva, Arouca e Vale de Cambra.


Graças ao fabricante de tecnologias educativas ACTIVboard, Promethean, e ao seu distribuidor em Portugal, Decitrel Inovação, foi possível levar por diante uma iniciativa tão ambiciosa junto destas comunidades educativas.

Coube ao Centro de Formação de Entre Paiva e Caima a coordenação de todo o projecto, em sintonia com os vários Órgãos de Gestão das várias escolas e agrupamentos envolvidos.

A todas as escolas, professores, alunos, pais e encarregados de educação, autarquias e empresas o nosso profundo agradecimento pelo esforço e empenho dedicados a este projecto educativo.

Hoje, dia 26 de Fevereiro 2009, este blogue renova-se para continuar a acompanhar o trabalho dos professores com as tecnologias em sala de aula, complementando-se com o renovado site Promethean Planet Portugal.

Tal como até aqui, pretendemos auxiliar os professores na utilização correcta e eficaz dos quadros interactivos ACTIVboard e de outras tecnologias interactivas da Promethean.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Mais de 1000 flicharts produzidos no Projecto Interact



No âmbito do Projecto "Interact - quadro interactivo nas salas de aula", os professores e educadores, do pré-escolar ao ensino secundário, já produziram e partilharam mais de 1000 flipcharts, disponíveis na plataforma moodle Interact Portugal. Um destes flipcharts foi apresentado pelo do Editor de Novas Tecnologias, Lourenço Medeiros, no Jornal da Noite, Domingo, 20 de Janeiro 2008. (Ver blogue Futuro Hoje).
A todos os professores, colegas e amigos do Projecto Interact, das escolas de Castelo de Paiva, Arouca e Vale de Cambra, as nossas mais sinceras felicitações! Foi necessário ir o jornalista Lourenço Medeiros à feira internacional de Educação a Londres, a famosa BETTshow 2008 para vermos um dos flipcharts produzidos...
Na BETT, "...estava esta Promethean um dos conjuntos de stands que mais dava nas vistas pela integração total, projectores cor de laranja para quadros interactivos, sistemas de respostas que podem ser usados por toda uma aula ao mesmo tempo como se fosse um concurso de televisão pedagógico [Sistemas Electrónicos de Regulação das Aprendizagens - ACTIVote, já aqui referidos neste blogue] e os programas para acompanhar os vários graus de ensino [ACTIVprimary e ACTIVstudio]. Verdadeiras salas de aulas do futuro, disponíveis já hoje, para quem possa pagar o preço. Esta empresa já faz os conteúdos em 40 línguas incluindo o português." (adaptado a partir de Blogue Futuro Hoje, Tecnologia para a Educação, 20.01.2008)





quarta-feira, 17 de outubro de 2007

e-Maturidade

Uma longa viagem de mil milhas
inicia-se com o movimento de um pé
Lao-Tsé, China Antiga [-570--490] Sábio

Realizou-se, em Londres, de 8 a 10 de Outubro, o ITiE Symposium 07. Estiveram presentes vários investigadores de renome, tais como Sir Geoff Hampton, Bridget Somekh, Maureen Haldane, Gemma Moss, Vanessa Pittard, Tom Greaves, Doug Brown, entre outros, como o famoso "America's Educator" Ron Clark, tendo sido apresentados estudos e experiências recentes na área das tecnologias interactivas na educação, nomeadamente, os quadros interactivos.

O Centro de Formação de Entre Paiva e Caima colaborou nesta partilha através de uma comunicação realizada pelo Prof. José Paulo Santos, Coordenador do Projecto “Interact – quadro interactivo nas salas de aula”, intitulada “Interact Project – the flight of the geese” (O voo do ganso).

Esta comunicação foi apresentada em língua inglesa, no primeiro dia do evento, em duas sessões de 45 minutos cada, entre as 14.15 e as 15.45 horas.

Foi muito gratificante darmos a conhecer um projecto em curso em Portugal, no âmbito da utilização de soluções interactivas nas salas de aula de escolas do pré-escolar ao ensino secundário, nos concelhos de Castelo de Paiva, Arouca e Vale de Cambra.

Nesta iniciativa internacional, foram apresentados os mais recentes estudos realizados com avaliações qualitativas e quantitativas rigorosas quanto ao impacto dos quadros interactivos no processo de ensino e aprendizagem, na mudança de práticas e nas metodologias de ensino.

Tal como já temos vindo a constatar no âmbito do Projecto Interact, o quadro interactivo pode desempenhar um papel fundamental na integração das TIC no currículo. Porém, não é propriamente pela sua presença na sala de aula que tudo acontece… É um passe de magia lento, corajoso, persistente e árduo. Embora a sociedade e o mundo da informação e da tecnologia exijam transformações aceleradas, não podemos esquecer que nos confrontamos com um ensino tradicional, com práticas seculares…

Com a instalação prevista de 9000 quadros interactivos nas salas de aula até Abril do próximo ano, numa iniciativa do Plano Tecnológico da Educação, Portugal coloca-se no pelotão da frente, nesta iniciativa, a par com o Reino Unido e com o México.

Estamos convictos que este programa de instalação de tecnologias nas salas de aula vai ser rigorosamente acompanhado por uma sólida e alargada formação dos docentes (e não docentes!), numa preocupação efectiva de integração das TIC no currículo, no sentido de obter transformações no processo de ensino e aprendizagem com reais benefícios positivos para os alunos. (Algo que ainda está em estudo nos vários países, sem resultados suficientemente conclusivos!).

Porém, de acordo com a nossa experiência, constatamos que docentes e alunos mais “expostos” à utilização regular do quadro interactivo e ligação à Internet na sala de aula desenvolvem significativamente a sua “maturidade” em tecnologias – chamemos-lhe “e-Maturidade”, permitindo-lhes alcançar um melhor desempenho e um aumento de competências em TIC. Obviamente, a obtenção destes resultados com o uso mais correcto e criativo do Q.I implica que o docente domine múltiplas ferramentas de produção de conteúdos e que planifique cuidadosamente as sessões de aula, muitas vezes com imenso esforço e sacrifício.

Acrescente-se, contudo, que este estádio é atingido por poucos docentes, tendo em conta que o uso do Q.I. exige:
· treino regular, sistemático e gradativamente aprofundado;
· trabalho colaborativo assente na partilha de experiências, ideias e de recursos digitais interactivos;
· livre e permanente acesso a salas com quadros interactivos instalados;

· reorganização do funcionamento da gestão e administração dos espaços escolares;
· apoio, acompanhamento e regulação da actividade docente;
· tempo significativo para preparação de aulas, pesquisa e criação de conteúdos digitais;
· formação aprofundada fornecida por formadores especialistas com experiência.

Também, no âmbito da nossa comunicação, lançámos um claro desafio para a necessidade de se abrandar o ritmo alucinante que está a ser exigido às escolas e aos professores, resultante das inúmeras e rápidas alterações tecnológicas, de modo a podermos reflictir sobre o rumo do futuro da Educação, que denominámos de “Slow e-Education”, numa analogia ao movim
ento que tem vindo a espalhar-se pelo mundo: o “slow-food”. Para que futuro estamos a preparar as nossas gerações?! Que papel cabe à família? Que tempo se disponibiliza para o convívio, o ócio, os tempos livres, o desporto, as tradições?

Precisamos de “digerir”, organizar, sistematizar e integrar toda a informação que nos chega em catadupa, (re)definindo caminhos em segurança e com confiança.
Esta visão foi aplaudida e apoiada pelos presentes!

Tal como os gansos, podemos enfrentar “ventos contrários”.

Se nos mantivermos conectados e abertos à partilha de ideias, experiências, interesses, obstáculos e soluções, numa Comunidade de Prática (CdP), dificilmente perderemos o rumo e nos afastaremos dos nossos objectivos.

Aprendamos uma lição com os gansos…


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

The Interact Project by Paul Kinney

Throughout my time spent as an English Language Assistant, my first experience of working with the Interactive Boards arose when I arrived at ESA [Secondary School at Arouca] in Portugal. During my induction period, I would often be invited to attend lessons with teachers only to notice that they arrived at the classroom with little more than the class register and head straight for the computer. A simple log-on name and password, and five seconds later their entire lesson appeared, projected in front of the class.

I must admit that though this was my first real experience with the interactive white board, I was intrigued. Previously, ICT in the classroom had consisted of taking my own lap-top along with me and crowding up to 10 students around its screen – hardly inspiring. I found that the teachers had placed practically their entire lesson up there on the board from listening comprehensions to grammar exercises with the project living up to its name. I had often found, whilst teaching English as a foreign language, that group activities were quite difficult to realise. Splitting a large group into several smaller ones and providing them with a series of handouts was the strategy that I had previously followed for group work. The only problem with this was that the group members tended to break off individually hogging the materials given out. Thus, with the material and activity being commonly shared, the students’ attention tends to be more focused in the same direction. For example, a classmate that is responding to a listening exercise on the board immediately becomes the focus of the entire class. In this way, the students are forced out of an individualistic world where their attention is solely focused on their own textbook and become more actively involved in each other’s learning with the pupils often correcting each other’s mistakes.

As a teacher, it immediately becomes easier possible to identify patterns of difficulty that students have as they air their disagreements as to the solution of the exercise in front of each other. Such instant feedback allows areas of difficulty to be corrected more rapidly, rather than having to rely on simply marking individual exercises.

I would not argue that the interactive board should be allowed to completely sweep the traditional textbook approach to one side, since students still need to be allowed to develop their skills individually. However, that said the primary aim of learning a language is interaction and the use of the board certainly facilitates this. It allows the teacher to transform a class activity into a group activity in which the teacher is constantly able to retain the focus of each group member, preventing them from slipping back individualistic learning attitudes when the teacher’s back is turned.

Clearly the students have a great deal of enthusiasm for anything new – particularly in the ICT field – and it is subsequently easier to motivate their interest. Bearing this in mind, it is therefore important that, over the coming years, the interactive board does not simply come to be a textbook at the front of the classroom. From what I have seen, the key to success of this depends on the board not being the unique domain of the teacher whose class lesson it is. It is only by letting the students interact with the board that the students interact with each other. Clearly the role of the teacher is the same as it has always been – to guide the class in these activities – but with interactive activities helping to focus the class more into a cohesive unit, the students can also guide each other ‘s learning as they learn from each other. It is this which has to be one of the greatest advantages of the interactive board: finally permitting more interaction between the learners themselves.

Paul Kinney
Comenius Language Assistant at E.S.A. (Escola Secundária de Arouca)
June 2007

________________

Tradução:

Durante o meu tempo passado como Assistente de Língua Inglesa, a minha primeira experiência de trabalho com os Quadros Interactivos surgiu quando cheguei ao ESA [Escola Secundária de Arouca], em Portugal. Durante o meu período de adaptação, fui muitas vezes convidado a assistir a aulas para reparar que eles chegavam à sala de aula com pouco mais que o livro de ponto e que dirigiam imediatamente para o computador. Login e a palavra-passe e, cinco segundos mais tarde, toda a aula aparecia projectada para a turma.

Tenho de admitir que, embora esta fosse a minha primeira experiência real com o Quadro Branco Interactivo [QBI], eu estava intrigado. Anteriormente, as TIC na minha sala de aula consistiam em levar o meu computador portátil e juntar 10 alunos à volta dele - muito pouco inspirador. Descobri que os professores têm agora a sua aula praticamente toda no quadro, que vão desde exercícios de ouvir e compreender até exercícios de gramática. Muitas vezes, sentia, enquanto professor de Inglês como língua estrangeira, que as actividades de grupo eram bastante difíceis de realizar. A estratégia que eu utilizava quando pretendia que a turma realizasse um trabalho de grupo consistia em dividi-la em vários pequenos grupos e fornecer-lhes uma série de fichas de trabalho. O único problema era que os elementos do grupo tinham tendência a realizar individualmente as tarefas. Assim, com as actividades a serem partilhadas por todos, os alunos estão todos concentrados no mesmo. Por exemplo, um colega que esteja a realizar um exercício de audição no quadro torna-se o centro das atenções de toda a turma. Desta forma, o aluno é forçado a sair de um mundo individual onde a sua atenção está apenas centrada no seu manual e envolver-se mais na aprendizagem dos colegas, que muitas vezes se corrigem uns aos outros.

Como professor, torna-se muito mais fácil identificar as dificuldades dos alunos à medida que dizem as suas opiniões quanto à resolução de um exercício em frente uns aos outros. Estes momentos de feedback permitem que as dificuldades gerais sejam mais rapidamente ultrapassadas, em vez de apenas nos guiarmos pelos exercícios individuais de avaliação.

Eu penso que o quadro interactivo não deveria ser totalmente trocado pelo livro de texto tradicional, uma vez que os alunos têm de desenvolver as suas capacidades individualmente. Contudo, diz-se que o primeiro passo para aprender uma língua é a interacção, e é certo que o uso do quadro interactivo facilita. Permite que o professor transforme uma actividade de turma numa actividade de grupo, conseguindo captar constantemente a atenção de cada aluno, evitando que estes se percam noutras actividades, quando a cabeça do professor está virada.

Os alunos demonstram claramente um grande entusiasmo por qualquer coisa nova - principalmente no que diz respeito às TIC - pelo que é muito mais fácil motivá-los. Tendo isto em conta, é portanto importante que, nos próximos anos, o quadro interactivo não se torne no “manual”. Pelo que eu tenho visto, a chave para o sucesso desta técnica exige que o quadro não seja apenas utilizado pelo professor. É apenas permitindo que os alunos interajam com o quadro que é possível que interajam entre eles. O papel do professor continua a ser o de sempre - guiar a turma nas actividades - mas com actividades interactivas que ajudem a focar a atenção da turma no mesmo, os alunos podem assim ajudar-se mutuamente na aprendizagem. É esta a grande vantagem do quadro interactivo: finalmente há maior interacção e entreajuda entre os alunos.

Tradução realizada por Mariana Pereira


sábado, 4 de agosto de 2007

Um olhar interpretativo

Sou educadora de infância, há 28 anos, e trabalho num jardim-de-infância da Rede Pública (Jardim de Infância de Macinhata – S. Pedro de Castelões).

No ano 2005, integrei no Projecto “Interact - quadro interactivo nas salas de aula”, com uma equipa multidisciplinar, com vista a divulgar as boas práticas e a reflectir sobre as experiências e práticas pedagógicas.

Nessa altura, frequentava o Mestrado na Área de Supervisão e Coordenação em Educação numa Universidade do Porto.

Quando aceitei integrar este projecto, pensei unicamente no pouco tempo que dispunha. Mas, tratava-se de um projecto arrojado, inovador, capaz de aliciar qualquer profissional em prol do “rejuvenescimento” do sistema educativo actual. Era uma oportunidade única de transformar as práticas educativas dentro da escola através de produção e partilha de conteúdos digitais interactivos.

E foi assim que um grupo de 15 crianças (de 4 e 5 anos de idade) e a educadora de infância foram criando estratégias para a estruturação dos flipcharts com espírito de inovação, experimentação e avaliação. Sempre apoiada no currículo de Educação de Infância, privilegiaram-se experiências que concediam às crianças tempo, espaço e oportunidades de jogo para explorarem e desenvolverem as suas ideias acerca do mundo e extraírem delas um significado. Esse mundo (tecnológico) que incessantemente muda, pressupõe desafios, constantes desafios! E para os vencer, as crianças têm necessariamente de ser educadas com experiências criativas e imaginativas, proporcionando oportunidades interactivas. Já McKeller (1957) referia que “o processo criativo envolve selecção, raciocínio e uma reflexão séria. Envolve condensar a informação perceptual e dar-lhe uma nova forma”.

Foram assim concebidos e construídos os flipcharts, em número suficiente e exigido no cumprimento do dever.

Mas, fazendo uma retrospectiva à origem do meu estudo – Portfolios na educação pré-escolar – uma abordagem supervisiva de investigação – acção – formação que, por si só, foi considerado de natureza invulgar tendo em conta o público a que se destina (3, 4 e 5 anos), e ainda presenteado com o Projecto Interact, numa perspectiva sistémica e numa conjuntura favorável que reforça a mudança e a inovação educativa. Assim, o presente estudo revelou novas competências quer ao nível do portfolio como estratégia de avaliação alternativa e autêntica quer ao nível de produção de conteúdos interactivos, em crianças de educação de infância. Sem dúvida, bastante inovador!

Um ano e meio depois, o meu posicionamento dentro do projecto ainda se mantém.

Curiosamente, foi apresentada a hipótese de instalar um quadro interactivo, no espaço estabelecido para a apresentação da minha dissertação, de forma a mostrar as potencialidades do quadro e, concomitantemente, o conteúdo do material interactivo.

Foi o que aconteceu. Numa das conversas informais com o coordenador do Projecto Interact Dr. José Paulo Santos, foi-me proposto a possibilidade de instalar um quadro interactivo na Universidade Portucalense – Infante D. Henrique, para a apresentação da Dissertação, caso a coordenadora do curso do Mestrado autorizasse. O tempo foi passando e o facto veio a consumar-se. Confesso que me senti enaltecida por apostarem no meu trabalho. Não senti receio ou instabilidade em todo este processo. A forma como o coordenador enfrenta e resolve as situações ou problemas transmitiu-me estabilidade e segurança. Senti também que tinha que o manter informado no desenrolar do processo de instalação, uma vez que ele estava ausente.

Imagino quanto foi difícil a longa distância e, em cumprimento de deveres profissionais, corresponder às minhas solicitações de instalação do quadro que se adivinhava para mais tarde.

Não sei como manifestar a minha gratidão perante alguém que com o seu empenho, responsabilidade e dedicação ainda se preocupa em ajudar a “brilhar” os que permanecem em seu redor. E também àqueles que prestam serviços na empresa em causa.

Ainda na sequência dos bons serviços prestados, a Universidade Portucalense pôs à disposição um técnico de informática, caso fosse preciso, antes e durante a apresentação. Este, surpreendido com tal ferramenta não resistiu a fazer algumas perguntas, rápidas e pertinentes.

A apresentação da tese foi previamente preparada em flipchart usufruindo das funcionalidades do quadro.

Perante uma assembleia e um júri composto de três elementos: Professora Doutora Alcina Manuela Oliveira Martins, Coordenadora do Curso do Mestrado em Supervisão e Coordenação da Educação, na Área de Especialização Pedagógica, a Orientadora da tese, Professora Doutora Maria José Sá Correia e a Professora Doutora Maria Manuela Abrantes, na qualidade de minha arguente e especialista da Área de Supervisão Pedagógica, defendi a investigação supervisiva, quer no enquadramento teórico quer na investigação empírica. O segundo volume apresentava anexos (documentos comprovativos, instrumentos de trabalho, e quatro CDs, sendo um deles os flipcharts (em PDF), realizados ao longo do ano lectivo.

No decorrer da apresentação foram feitas muitas perguntas e, entre elas, sobressaiu uma baseada numa citação de Iram Siraj – Blatchford,( 2004) onde refere que “… os computadores parecem funcionar como «facilitadores sociais», nos contextos da Educação de Infância…”

Será que, por vezes, não funcionam como «inibidores sociais»?

Existem dados que revelam a utilização de novas tecnologias em crianças de educação de infância e num currículo equilibrado. A qualidade de interacção é elevada, sobretudo no que diz respeito ao comportamento cooperativo. Estas novas tecnologias contêm, sem dúvida, um grande potencial no encorajamento no trabalho de grupo e no desenvolvimento social. Além de desenvolver a aprendizagem, pode ser especialmente útil para fornecer os meios para atrair as crianças desmotivadas pelo currículo académico. Também são utilizadas em crianças com falta de concentração.

Em acto conclusivo: a experiência foi única e com resultados brilhantes… Valeu a pena discutir novas metodologias e aceitar desafios,

“… desenvolver com os seus alunos um tipo de relação susceptível de integrar e valorizar as diferenças, de lidar com as insatisfações e com as inquietações e de mudar, na prática e pela prática, paradigmas pedagógicos que respondem mal às aspirações dos jovens de hoje. São eles que podem, ou não, criar atmosferas em que os alunos aprendam a sentir o desafio das dificuldades e a alegria de as superar. São eles que podem, ou não, fazer com que os alunos aprendam a apreciar e a praticar) a solidariedade, o saber e a cultura. (…) São os professores que…podem, ou não, fazer com que a escola fique no lado das nossas memórias” (Fernandes Domingos (1994) apud Balancho, Maria José s/d,p.5).

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Bibliografia

· BALANCHO, Maria, COELHO, Filomena, (2002). Motivar os alunos – Criatividade na Relação Pedagógica: Conceitos e Práticas. Porto: Texto Editora.

· MCKELLER, P. (1957). Imagination and Thinking. London: Cohen and West.

· SIRAJ – BLATCHFORD, J.(2004). Manual de Desenvolvimento Curricular para a Educação de Infância. Lisboa: Texto Editora.


Fernanda Alves

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ouça a reportagem da Rádio Azeméis FM 89.7

Ouça a reportagem realizada pela Rádio Azeméis FM sobre o Seminário que decorreu na Escola EB 2.3 Bento Carqueja, no passado dia 19 de Julho 2007.

Notícia na página da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
Veja aqui a notícia na página da Rádio Azeméis FM


quarta-feira, 18 de julho de 2007

Relatando…

PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁCTICOS EM ACTIVstudio PARA Quadro Interactivo em contexto de aulas, em disciplinas com direito a exames nacionais…


O quadro interactivo vicia… e torna-se um competidor glutão do nosso sempre pouco e precioso tempo… é tentador fazer e re-fazer… e parece que nunca está bem… que é sempre um trabalho inacabado…

Gosto das aulas com o quadro i… torna-se mais fácil fazer-me entender e perceber se sou bem-ou-mal entendida. Muda de página… Volta para trás… e está tudo lá… igualzinho… pronto para reVer o raciocínio feito… E os alunos aDoram… ir ao quadro i … escrever com a caneta… mudar de página…e… ver onde leva a hiperligação…

é uma grande emoção…

E mesmo uns gatafunhos feitos a correr … eles querem que seja enviado para o e-mail da turma…

ao qual todos acedem para descarregar os flips ( e os gatafunhos…)…

Os flips construídos e usados nas aulas de 10ºano de Biologia e Geologia e 12ºano de Biologia, foram muito bem recebidos pelos alunos, principalmente os flips com exercícios e com hiperligações… ficando a certeza de que o prazer vivido no processo ensino-aprendizagem é facilitador da aquisição de conhecimentos.

Domínio da Tecnologia Utilizada… bem por vezes fico com a certeza de que sou dominada pela tecnologia… a tentativa de escrever com a caneta leva algumas vezes à mudança da página… e nem mudando o ângulo de incidência da mesma há (por vezes) alteração do resultado…

a sensação… melhor… a certeza que me acompanha é a de que serei para todo-o-sEmpre

uma info-incluíDa-a-caMinho…


A participação na acção-de-formação

PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁCTICOS EM ACTIVstudio PARA Quadro Interactivo

com a formadora Maria João Ferreira, superou as minhas expectativas… foi muito divErtido todo o tempo que aprendemos em conjUnto… e a partilha de experiências foi extremamente enriquecedora…

muito, muito positivo … tendo contribuído para que o caminho da info-inclusão seja mais atraente… e sempre… sempre compensador…

A acção de formação foi uma verdadeira lufada de ar fresco… deu para relembrar algumas ferramentas menos ou NADA usadas… e descobrir outras… que até aí tinham estado no reino do nãO-exiSte…

…foi um desafio… um excelente desafio que me fez pensar no ACTIVstudio e nos Quadros inTeractivos… de outro modo… de uma forma mais interaCtiva… e mais trabalhosa também…

sim porque criar é para quem é artista… e com tantas coisas que a vida nos exige, torna-se difícil parar para ser um inovadOridiota… dando à luz novas interacções bem FLIPadas.

Claro que ter um QI é uma mais valia

para as aulas de bioLogia / geoLogia …

aliás, fica difícil não ter o quadro para usar…a possibilidade de mostrar animações através de hiperligações à net, bem enquadradas no seguimento da aula …e a prévia construção de instrumentos que possibilitam a manipulação para se entender por exemplo a actuação enzimática é extraordinário…

e fica a certeza de que os alunos chegam lá quase sozinhos…

Para a maioria dos alunos o quadro foi bom… muito bom… mas também há excepções… mea culpa, mea culpa… pois às vezes (mais do que deveria) o quadro era menos interactivo…a pressão dos exames a isso obriga… mas estou consciente das minhas falhas…e como tal a caminho de colocar em prática a máxima…

…estou aqui para ajudar a aprender e não para ensinar…

Gosto muito de poder contar com mais este saber… pois a minha capacidade em potenciar o sucesso dos alunos aumentou… mas é apenas mais uma arma… e bem poderosa…

Para o último teste de Bio e Geo de 10º estava praticamente toda a Biologia… e antes de leccionar o último tema… para o teste… fiz um teste de diagnóstico… só com o QI foi possível… sem active vote… ou aliás um ACTIVote à minha maneira… grupos de VF… Com direito a cotação.. e correcção com consulta…

eles adoraram e eu também…

pois verifiquei que a essência das matérias estava dentro de cada um… e foi muito bom no final da aula ou vir… “…foi tão fixe stôra!”… isto após uma noitada até às 3 da manhã… sim porque esta coisa da interacção é anti-cama…

Claro que ajuda muito trabalhar com alguém, com quem é um prazer e honra poder partilhar ideias e flips…

a flor.mais.bela.desta.escola… Florbela Cardoso a leccionar o 10º tal como eu… e o coordenador… um primor… sempre a motivar… mesmo sem pedirmos ajuda …ali está o João Teixeira a partilhar com muito gosto as suas descobertas, para que o nosso caminho seja mais simples… e qualquer 5 minutos de intervalo servem para cumprir este objectivo… Assim eu dei à luz 50 flips… em que só um é O verdAdeiro… o interactivo…… o resto é…a-caminho-de…

A partilha das salas com Qi foi uma constante… e é bom sentir que já sabemos qualquer coiSita… o suficiente para ajudar colegas iniciAntes…

A minha vOntade… e os meus alunOs… são as minhas armas para vencer os contras… 2 horas de viagem, todos os dias…

bimãe de três filhos (o mais velho é o pai dos 2 pequenos…)…

três níveis… dois dos quais nOvOs…

e um deles novidAde…Área de Projecto de 12º ano do qual fui coordenadeira

…e..

sem net.at.home…

acho que até me esforcei apesar de ainda não ter conseguido editar todos os meus flipS…mas vou conseguir..

Pretendo continuar… e como há contras que permanecem… viva os que podemos eliminar… o ministério da educação vai-me (nos) dar um portátil com net… viVa…… aí acho que os meus fliPs e participação no interact vai aumentar…mUitO… e a minha carita.sempre.a.riR tambémmm…

a MelhOrar…

mais salas com quadrOs…mais encontros de partilha de trabalhOs…


um AtéJá ao zÉpaulo… um excelente coOrdenadorPai..


Clara Tavares
Escola Secundária de Vale de Cambra

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Projecto Interact em Oliveira de Azeméis


A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis organiza,
no dia 19 de Julho de 2007, pelas 14.30 horas,
um Seminário de apresentação do Projecto Interact
aos professores e educadores daquele concelho,
na Escola EB 2.3 Bento Carqueja.

Mais informação aqui



terça-feira, 17 de julho de 2007

Experiências com os Quadros Interactivos na disciplina de Inglês

O impacto que as novas tecnologias têm no desenvolvimento de todos os sectores da sociedade é enorme e impensável num passado recente. Também no sector da educação e, concretamente em sala de aula, a importância dos meios informáticos como instrumento auxiliar no processo de ensino/aprendizagem é notória, uma vez que se torna cada vez mais necessário diversificar estratégias e metodologias, no sentido de despertar e motivar os alunos para novas descobertas. Esta nova realidade começa a revolucionar os modelos de prática lectiva em vigor. De facto, a aprendizagem tradicional começa a ceder em favor das aprendizagens centradas nos hipermédia, as quais incluem os Quadros interactivos (imagens e sons associam-se a textos e a outros sons e imagens). O ensino caminha para um estado de construção e descoberta, no qual o professor passa de transmissor a facilitador da aprendizagem, e a mera absorção de conteúdos programáticos dará lugar à crítica reflexiva de informação. Assim, é dado ao aluno a possibilidade de ser ele próprio a construir a sua própria aprendizagem, permitindo que ele questione, actue, e observe o produto da sua acção.


Durante as poucas aulas em que trabalhei com o Quadro pude:

  • constatar o grande entusiasmo que os alunos revelam e a facilidade com que aprendem a manusear as ferramentas de trabalho;
  • verificar que a utilização do Quadro dá aos alunos a sensação de poder fazer / construir;
  • concluir que os alunos com o Quadro conseguem aprender pelo prazer da descoberta; encaram os exercícios como um jogo.
Este aspecto é importante uma vez que, assim, aprendem normas sociais e adquirem conhecimentos de forma dinâmica. Mais ainda, o jogo reflecte a realidade, permite adquirir conhecimentos e fornece pretextos para a solução de problemas. Trata-se de um processo no qual o aluno pergunta, age, e observa os efeitos da sua acção. Este factor é extremamente importante para o seu desenvolvimento. Os alunos têm revelado grande entusiasmo e aprendem com surpreendente rapidez a utilizar a pen e as ferramentas. Neste modelo educativo, há a possibilidade de o aluno assumir um papel mais activo, participativo, criativo e colaborativo, escrevendo no Quadro, arrastando objectos, figuras, acrescentando e retirando informação, sublinhando palavras, colorindo, participando na construção de esquemas, gráficos, sínteses, resumos, simulando experiências que, com um simples click podem ser guardados, enviados por e-mail. Mais ainda, todos estes gestos podem ser vistos em simultâneo por toda a turma, debatidos, comentados e avaliados.


Apesar de me sentir adepto desta nova tecnologia, confesso que, no início, esta nova realidade pareceu-me um pouco complexa no que ao manuseamento das ferramentas diz respeito. Para além disso, a concepção de materiais e as estratégias de utilização do equipamento requerem um grande investimento em termos de tempo. Contudo, com a ajuda preciosa por parte dos coordenadores, a troca de informação com outros colegas, e algum empenho e imaginação, não só consegui aprender a manusear as ferramentas de forma razoável, como fui melhorando bastante no tempo dispendido na construção dos Flipcharts. Face às expectativas iniciais, penso ter conseguido adquirir os conhecimentos essenciais para a elaboração de Flipcharts. Ao longo do ano, produzi alguns materiais didácticos para a disciplina de Inglês (5º Ano), os quais, para além de fazerem parte do programa, parecem-me adequados para os alunos em causa. Os materiais elaborados foram relacionados com os seguintes conteúdos programáticos: Nouns - Singular/Plural; Food; Means of Transport. Apesar da pouca experiência que tenho ainda, concluo, entre outros aspectos, que se quisermos captar a atenção e interesse dos alunos podemos consegui-lo com facilidade se transformarmos a nossa actividade docente num verdadeiro jogo. Assim, consegue-se que a aprendizagem do aluno se transforme na mais divertida das suas actividades e para ela, aprender será sinónimo de jogar. Com o Quadro Interactivo consegue-se que aprendam pelo prazer da descoberta do jogo.


É importante manter a motivação dos alunos, pois só assim será possível avançar em todos os domínios. Esta actividade precisa de trabalho e investigação do educador para conhecer quais as estratégias que são mais relevantes para o desenvolvimento do aluno e fomentá-las ao mesmo tempo que tem de avaliar a sua pertinência neste processo complexo de aprendizagem.


As ferramentas de comunicação e interacção à distância proporcionadas pelas TIC podem ser potenciadas na promoção de boas práticas nos vários contextos e modelos de aprendizagem, de que são exemplo o trabalho colaborativo (terá que se investir mais nesta modalidade) e as comunidades virtuais de aprendizagem. A implementação de novos modelos curriculares com maior ênfase em competências transversais e na realização de tarefas de uma forma autónoma por parte do aluno e, ainda a inclusão de novas áreas curriculares não disciplinares, justifica a contínua formação de professores no sentido de dar resposta a estes paradigmas, incluindo as TIC como ferramentas potenciadoras e geradoras de novas situações de aprendizagem e metodologias de trabalho.


Por fim, quero destacar a constante disponibilidade e interesse, por parte do Coordenador, Professor José Paulo Santos, em relação ao trabalho realizado, bem como o rigor das análises e sugestões que foi fazendo ao longo do ano. Destaco, ainda, a disponibilidade constante da Professora Helena Vide no sentido de tirar dúvidas e dar sugestões relativamente à selecção e apresentação de vários conteúdos a incluir nos
Flipcharts.


Fernando Jorge Serralheiro Marques

Agrupamento de Escolas do Búzio (Vale de Cambra)


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segunda-feira, 16 de julho de 2007

De Lisboa para Castelo de Paiva...

Conhecidas que eram as dificuldades de viver nas aldeias, os meus pais deixaram a terra natal – Nespereira, no concelho de Cinfães – para trabalharem em Lisboa, mais precisamente no concelho de Sintra. O amor às origens trazia-os diversas vezes ao norte e, há trinta anos, tendo eles vindo festejar o S. João, resolvi nascer em Castelo de Paiva.


Estudei em Sintra, licenciei-me em Lisboa, trabalhei em Lisboa e em Sintra. Várias vezes comentava que desejava conseguir colocação no norte, bem próximo das origens da minha família. Colegas questionavam esta minha vontade, alertavam para as dificuldades de trabalho nas escolas do norte, “perdidas no meio dos montes, isoladas de tudo, sem condições….”. Mas o sonho não se abala facilmente e, há dois anos, no dia de S. João, sendo divulgados os resultados de mais um concurso para colocação de professores, recebo a notícia de que sou colocada em QZP de entre Douro e Vouga.

No primeiro ano lectivo, exerço funções docentes na EB1 de Castelo de Paiva nº1, de onde guardo muito boas recordações pessoais e profissionais. No segundo ano, este que agora finda, sou colocada na EB1 de Castelo de Paiva nº2, por um período de três anos. Reencontro as colegas com quem trabalhei em Sintra e falo-lhes com alegria da minha mudança. Digo-lhes que tenho a possibilidade de utilizar um Quadro Interactivo e questionam-me sobre as funções de tal ferramenta. Com satisfação e muito orgulho, apresento-lhes as novidades que, ainda hoje, não são conhecidas na grande Lisboa, mas que já fazem furor num pequeno concelho do norte!!!

E terminado o meu desvio no tempo e no espaço, retorno ao final do ano lectivo 2006/2007, depois de um ano de trabalho com uma turma de 2ºano de escolaridade, na Escola Básica 1 de Castelo de Paiva nº2, para apresentar o meu relatório incidente sobre a utilização do Quadro Interactivo na sala de aula.

Em primeiro lugar, esclareço que não sou por norma uma aficionada das TIC, conheço os procedimentos básicos de alguns dos programas mais usualmente utilizados para trabalhar com computador, não aderi fanaticamente ao acesso à Internet com todas as suas janelas abertas… Da mesma forma, ao iniciar o ano, não encarei o facto de leccionar numa sala onde estava instalado um Quadro Interactivo como uma mais valia só por si. Quer isto dizer, que não vi unicamente a ferramenta que se me apresentava, mas pude redimensionar as minhas metodologias e estratégias de trabalho tirando proveito de mais um recurso que tinha agora à minha disposição. Afirmo diversas vezes, e choco alguns colegas ao fazê-lo, que não pretendo ensinar os meus alunos a ler, a fazer contas, a nomear os rios de Portugal (e por aí fora… os conteúdos programáticos são inúmeros). Pretendo, antes, ajudá-los a descobrir o prazer de aprender!!! Pretendo, antes, ajudá-los a aprender a aprender!!! E foi nesta perspectiva que encarei o QI, como sendo mais uma ferramenta a que posso recorrer procurando alcançar o meu objectivo.

Sem dúvida nenhuma, que o QI constituiu um factor de motivação para os meus alunos. Quando o ano iniciou e entrámos na sala, ficaram maravilhados! Tendo explicado que ainda teria de aprender a usar o quadro, todos os dias me vi “interrogada” pelos meus alunos: “Professora, já sabe?”, “Já vamos usar o quadro?”, “Ó professora, quando é que aprende a ligar o quadro para nós usarmos?”... E eu, que pretendia motivá-los para o seu processo de aprendizagem, vi-me motivada por eles para a minha aprendizagem. E desculpem-me aqueles que esperam resultados brilhantes por parte dos alunos… Desculpem-me os que procuram vantagens para os alunos usando esta tecnologia… Pois de nada servem materiais, tecnologias sofisticadas, se o professor não se sentir envolvido para, então, envolver os seus pequenos aprendizes!

Não posso dizer que tenha mudado metodologias de trabalho, mas reformulei estratégias: na motivação para a leitura e a escrita, no trabalho de aperfeiçoamento de texto, no desenvolvimento do cálculo e raciocínio, na motivação para a descoberta.


Ponto importantíssimo, que devo salientar, reporta-se ao comportamento dos alunos em ambiente de sala de aula e ao cumprimento de regras de trabalho. Dada a enorme vontade de serem chamados a trabalhar no QI os alunos foram interiorizando, mais significativamente e com maior rapidez, que o colega deve ser respeitado, para que o próprio também o seja na sua vez de ir ao quadro.

E, uma vez que estou a falar de motivação e de aprendizagem comportamental, partilho uma situação específica com um aluno com Necessidades Educativas Especiais, aluno com Trissomia 21, pouco comunicativo, muito irrequieto e apresentando uma capacidade de concentração mínima nas actividades propostas. Foi interessante e muito gratificante, observar a atenção crescente do aluno para com tudo o que se passava no quadro, ao ponto de, ao chegar à escola, pedir à mãe que o levasse de imediato para a sala porque, como ele dizia “tem bonecos”. O poder da imagem demonstrou-se claramente. Maior espanto senti quando, chamando o aluno ao quadro para pintar uma figura, o vejo manejar a caneta mudando cores sem que nada lhe fosse dito. Parece uma situação insignificante, mas é preciso conhecer o aluno para perceber a intensidade e a importância desta realização!!!


Falando ainda de motivação, foi bastante interessante notar que os alunos ansiavam pelas actividades lúdico-didácticas disponibilizadas através do software ACTIVPrimary, nomeadamente para a área de Matemática, área essa que geralmente é o “bicho-papão” que amedronta e inibe os nossos alunos. Além disso, notava-se muito claramente o espírito de entre-ajuda estabelecido entre os alunos (porque o objectivo não era cada um deles conseguir, mas sim a turma conseguir realizar a actividade). Este factor auxiliou os alunos que, por natureza, são mais reservados, tímidos e inseguros, libertando-os para uma maior participação na aula.


Devo salientar que, mais importante do que o trabalho de aula baseado nos meus flipcharts, foi o trabalho que os alunos puderam construir e apresentar que trouxe maiores ganhos em todo este processo. Durante as aulas, a turma descobriu conhecimentos, organizou-os e preparou flipcharts. Estes serviam não só como recurso de revisão de aprendizagens, mas também como prova daquilo que os alunos estavam a alcançar e a fazer nas aulas. E este facto era de tal modo importante, que eles prepararam uma aula para os seus pais, demonstrando o seu trabalho. Lembro a enorme satisfação dos alunos por estarem no papel de professores, lembro a satisfação dos pais por estarem no papel dos seus filhos e, principalmente, por observarem a alegria deles por terem oportunidade de mostrar o que estavam a aprender. Foi uma experiência que correu bem e que pais, alunos e professora esperam repetir!!!


Ao longo do ano, senti que os manuais foram ocupando um lugar cada vez menos imprescindível. Esta situação não se deveu ao facto de ter um quadro interactivo na sala de aula. Desde o início da minha carreira profissional que posiciono os manuais no lugar que, penso eu, devem ocupar – ou seja, simples recursos de apoio e não como ditadores do processo de ensino-aprendizagem. É bem verdade que nem sempre existem outros recursos de apoio, é bem verdade que os pais se sentem mais seguros quando os seus filhos cumprem todos os exercícios do dito livro, é bem verdade que os professores (não sei se muitos ou pouco) se sentem mais seguros de si quando chega o final do ano lectivo e o manual está todo escrito. “Já dei o programa todo!”, dizemos nós… seguros de que a nossa função está cumprida… Mas falta o resto, falta o principal (arrisco a dizer…)! Onde fica a motivação e a liberdade de cada indivíduo construir o seu saber?! Então aqui pode entrar o Quadro Interactivo!


Não perdendo o Programa e o Currículo de vista, mas apontando para as Competências, é possível construir o conhecimento dos alunos, com os alunos, partindo dos alunos de forma igualmente estruturada (quando comparada ao uso do dito manual). A par disto, encontro ainda a vantagem de, passo a passo, dia-a-dia, haver a oportunidade de registar e guardar toda a descoberta dos alunos, toda a estratégia implementada, todo o trabalho realizado.


Quase a terminar, uma última reflexão sobre o trabalho de colaboração que se pode gerar entre alunos e entre docentes. A utilização do Quadro Interactivo permite que um trabalho nunca se dê por terminado. Os alunos podem partir do flipchart do professor ou de um colega para modificarem, alargarem, retirarem e continuamente construírem o seu conhecimento. Um professor, que se integre num ambiente de colaboração e abertura, pode ver o seu trabalho enriquecido e facilitado pela partilha de flipcharts e, acima de tudo, pela partilha de experiências que daqui podem surgir! Não o digo no plano da utopia, mas porque tive a oportunidade de experienciá-la este ano na partilha de dúvidas, de incertezas, de estratégias, de certezas com uma colega, também ela docente de 2ºano.


O que se poderá melhorar? Modificar? Resposta difícil… Quando se envereda por um caminho diferente e desconhecido, não há a experiência de outros caminhantes que nos possa guiar. Contudo, há algo que nunca se poderá descurar: a capacidade de reflexão sobre a opção tomada, sobre o caminho já percorrido, sobre o que está ainda por percorrer! E que seja uma reflexão individual, mas também de grupo (professores, alunos, pais, comunidade). Que seja uma reflexão sobre breves momentos da prática educativa - porque estes podem fazer a diferença - , mas igualmente sobre o percurso de aprendizagem globalmente, não correndo o risco de sobrevalorizarmos ferramentas em detrimento das finalidades.


Provavelmente não terei cumprido os requisitos de um relatório, enveredando por uma reflexão pessoal (e, por isso, menos objectiva) sobre a experiência deste ano lectivo utilizando o Quadro Interactivo… Considero-me mais sensível a sentimentos, atitudes, do que a números ou percentagens… De qualquer forma, aqui fica o testemunho de uma professora que se sente enriquecer!


Maria João de Jesus Brochado

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A partilha e a colaboração no Búzio

Mais um ano lectivo chegou ao fim!


Época de avaliação de aprendizagens, época de reflexão sobre o trabalho realizado, sobre o que se fez e o que se poderia ter feito! E, nesta perspectiva, surge, também, o “Balanço final do Projecto Interact”, mais especificamente, o “Balanço” do impacto do Quadro Interactivo na nossa prática lectiva.

É certo que, nos dias de hoje, é impensável mostrarmos indiferença pelas Novas Tecnologias da Informação e Comunicação pois serão estas as “ferramentas do futuro” que nos ajudarão a diversificar métodos e técnicas de ensino, a tornar as aulas e a própria aprendizagem mais motivadora e atractiva tendo em vista o sucesso dos alunos.

É neste contexto que surge o meu interesse por esta área, nomeadamente pelos quadros interactivos, que utilizo há já alguns anos. Os quadros interactivos são uma excelente “ferramenta” para motivação, treino e consolidação de aprendizagens, desde que utilizados de forma coerente e equilibrada. Proporcionam ambientes de aprendizagem bastante entusiasmantes, motivadores e dinâmicos sendo, por isso, bastante elevada a motivação e o interesse dos alunos pelas actividades propostas. Esta motivação e envolvimento por parte dos alunos reflectem -se também no seu comportamento e no desenvolvimento de competências, pois, estando mais atentos e concentrados os alunos aprendem melhor e, obviamente, portam-se melhor! Esta constatação é, sem dúvida, uma motivação para o professor e um desafio para prosseguir adaptando-se e alterando as suas práticas de acordo com os interesses e necessidades dos seus alunos, de forma a que aprendam cada vez mais e melhor.


No que diz respeito à minha experiência pessoal, iniciei o meu contacto com os Quadros Interactivos em 2003/2004, com o SMARTBoard, e com alunos do 3º ciclo (9º Ano). Foi uma experiência gratificante e enriquecedora, a turma tinha já muitos conhecimentos nesta área o que facilitou o desenvolvimento dos trabalhos. Eu ensinei…. mas também aprendi! Nos anos seguintes passei a leccionar turmas do 2º ciclo e a utilizar o ACTIVboard (activstudio) e o impacto desta nova tecnologia junto dos mais pequenos superou as minhas expectativas.

No ano lectivo que agora termina leccionei Língua Portuguesa e Estudo Acompanhado a duas turmas de 5ºano (turmas C e F). Nas aulas de Língua Portuguesa elaborei flipcharts relacionados com a matéria a leccionar e as características das turmas, recorrendo aos vários recursos que tinha ao meu alcance (Biblioteca de recursos, Internet, recursos áudio etc). Foi também de grande importância a utilização do Quadro Interactivo nas actividades relacionadas com o Plano Nacional de Leitura, fazendo, por exemplo, ligação a sítios na Internet, nomeadamente, ao sitio da “História do Dia “ de António Torrado, actividade que muito agradou aos alunos. Nas aulas de Estudo Acompanhado foi desenvolvido, sempre que possível, e dadas as características desta Área Curricular não Disciplinar, um trabalho mais colaborativo, tendo mesmo chegado a realizar flipcharts com a colaboração de colegas que leccionavam a mesma turma, e a colaborar num projecto desenvolvido pela professora Manuela Barroso com um aluno de currículo alternativo a quem leccionava a disciplina de Língua Portuguesa numa vertente mais funcional. O aluno elaborou, nessas mesmas aulas individuais, um flipchart que foi apresentado à turma numa aula de Estudo Acompanhado que o aluno frequenta. Apesar de ser um aluno muito pouco participativo, aceitou este desafio e, com a ajuda das professoras, conseguiu apresentar o seu trabalho à turma. O elogio que recebeu por parte professoras e colegas foi um estímulo para continuar e um grande contributo para reforçar a sua auto-estima.

No entanto, o espírito colaborativo, o trabalho de equipa, a partilha e a troca de experiências e conhecimentos estiveram sempre bem enraizados nos professores do Agrupamento de Escolas do Búzio, que integram o Projecto Interact.

Prova disso é o empenho e entusiasmo com que participaram em todas as “Sessões” de apresentação e divulgação do Projecto Interact, do ACTIVboard e respectivo software, no início do ano lectivo e, posteriormente, numa Acção de Formação, na modalidade de Oficina, por mim orientada, com a preciosa colaboração dos colegas Manuela Barroso e Mário Silva.

Acção de Formação

Quadros Interactivos: Produção de materiais pedagógicos multidisciplinares”

Foi, para mim, uma experiência muito gratificante. Todos participaram de forma interessada e dinâmica, mesmo fora do horário estipulado, e produziram Flipcharts de excelente qualidade.

Como coordenadora do Projecto no Agrupamento desde a sua implementação, para além de todo o trabalho inerente a este “cargo”, participei em todas as actividades programadas.

Estive sempre ao dispor de todos os colegas para qualquer esclarecimento ou ajuda relativamente à construção de Flipcharts ou mesmo sobre o próprio software, deslocando-me, sempre que solicitada, ao centro Educativo da Praça.

  • No dia 21 de Abril de 2007, participei no “Workshop Interact”, realizado na Escola Secundária de Vale de Cambra, onde apresentei um Flipchart sobre o trabalho desenvolvido no Agrupamento, mais propriamente na Escola EB23 do Búzio.

Actividades desenvolvidas na Escola EB2,3 do Búzio

Estas foram algumas das actividades realizadas ao longo deste ano lectivo. Fica-nos, contudo, a sensação que poderíamos ter feito mais.

No entanto, convém salientar que, na Escola existia um só QI para os 13 professores aderentes ao Projecto, o que, por vezes, impediu o seu desenvolvimento a um bom ritmo, tanto a nível de preparação de aulas como de actividades. No entanto, a gestão da sala do QI foi sempre feita na base da compreensão, espírito de partilha e respeito pelos colegas.


Uma palavra de reconhecido agradecimento ao coordenador do Projecto, José Paulo Santos, pelo apoio incondicional que sempre nos prestou e pelo elevado profissionalismo e espírito de liderança com que tem conduzido este grande “bando”que é o Projecto Interact.

Maria Helena Vide Paiva



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